Jornalista que denunciou propinoduto da vacina foi alvo de fake news de Bolsonaro

Em 2019, a profissional foi alvo de ataques massivo da rede que dá sustentação ao presidente que chegou a expor o endereço de sua casa

Em sessão da CPI da Covid, na quinta-feira (24), o senador Renan Calheiros, ao pedir a proteção para aos irmãos Miranda e ao empresário Maximiano, dono da Precisa, afirmou que tais medidas eram necessárias, pois, “nós sabemos os métodos que estamos enfrentando” e alertou que era preciso evitar “um novo Alexandre da Nóbrega”, miliciano amigo da família Bolsonaro morto na Bahia.

Calheiros teve a coragem de colocar em público o método bolsonarista de fazer política: destruir reputações a partir de fake news, ataques massivos nas redes sociais das pessoas que ousam expor o governo e a família Bolsonaro e ameaças de morte.

Foi o que aconteceu com a jornalista Constança Rezende em 2019 após escrever reportagem sobre as denúncias do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentação atípica de R$ 1,2 milhão nas contas de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro.

Após a publicação da matéria, à época pelo jornal O Estado de S. Paulo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), por meio de suas redes, publicou uma fake news onde insinuava que Constança fazia parte de esquema para destruir o governo. O ato do presidente gerou uma rede de solidariedade à repórter.

Posterior a publicação do caso de propinoduto das vacinas, o presidente Bolsonaro publicou um vídeo onde aparece defendendo os seus ministros e afirma que nos governos anteriores “só tinha roubalheira”. Até agora não desmentiu nada do que revelado sobre o novo capítulo do escândalo das vacinas.

Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro já ativou a sua rede de fake news para desqualificar as denúncias.

O propinoduto das vacinas

Reportagem de Constança Rezende publicada na noite desta terça-feira (29) no jornal Folha de S. Paulo traz mais uma grave denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro: segundo um representante de empresa que vende vacinas, o governo pediu propina de 1 dólar por dose do imunizante da Oxford/Astrazeneca.

A denúncia foi feita ao jornal por Luiz Paulo Dominguetti Pereira, representante da Davati Medical Supply. Segundo ele, a proposta de propina foi feita pelo diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, que foi indicado ao cargo pelo líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR). Barros, inclusive, é apontado como envolvido diretamente na negociata com indícios de corrupção na compra da Covaxin, vacina indiana contra a Covid-19. O jantar teria acontecido no dia 25 de fevereiro em um restaurante de um shopping de Brasília.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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