quarta-feira, 30 set 2020
Publicidade

Corinthians, Atlético-MG, Inter e Vasco se reúnem com a Globo e abandonam MP de Bolsonaro

Clubes deixaram o movimento Futebol Mais Livre, que defende medida prestes a caducar no Congresso, diz portal

Corinthians, Atlético-MG, Internacional e Vasco abandonaram o movimento Futebol Mais Livre, que apoia a MP do Mandante, assinada em julho, segundo os jornalistas Danilo Lavieri e Rodrigo Mattos, do portal UOL. Os quatro clubes teriam se reunido com a Rede Globo, a maior prejudicada com a medida de Bolsonaro, e desistido de apoiar o movimento, por diferentes motivos.

Segundo o portal apurou, Corinthians se afastou do grupo como retribuição ao fato de a emissora ter concordado em mencionar o nome do patrocinador de seu estádio, NeoQuímica Arena. O Galo tem interesse semelhante: está construindo um estádio, patrocinado pela MRV, e chegou a acordo para que ele seja citado nas transmissões da emissora também.

O presidente do colorado gaúcho chegou a participar de reunião com Bolsonaro para discutir a MP. No entanto, seu contrato com a Turner está perto de acabar. Por isso, avaliou ser melhor voltar ao bom relacionamento com a detentora dos direitos de transmissão do campeonato.

O símbolo desses três times já não aparecia entre os apoiadores do movimento no site nesta terça-feira (15).

Apoiadores do movimento no site na terça, 15/9 (Foto Reproução Internet)

O Vasco ainda ostenta o escudo no site, mas segundo apurou o UOL, também estaria fora do movimento. Isso porque quer proximidade com a emissora e teria recebido dela um valor pela não transmissão de partidas no Carioca.

O movimento

A MP foi enviada ao Congresso em 18 de junho e dá ao mandante do jogo os direitos de transmissão esportiva, para que venda ou use como quiser. Na época, ela foi apelidada de “MP do Flamengo”, pois o clube carioca a usou logo depois nas partidas do campeonato estadual.

Dos 20 clubes da série A, 16 apoiavam a medida no princípio. Foram contra desde o início São Paulo, Botafogo, Grêmio e Fluminense.

A medida precisa ser aprovada pelo Congresso, senão não fica mais em vigor. São 60 dias de prazo, prorrogáveis por 60 dias. Mas, nos bastidores, já se avalia que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não vai levá-la adiante.

Tanto é assim que Bolsonaro chegou a pedir em uma de suas lives, em julho, que o Congresso não deixasse a medida caducar. Até agora, foi em vão.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.