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06 de fevereiro de 2020, 10h21

Coronavírus: China prioriza home office para evitar contágio

Com as cidades “fechadas”, para evitar contágios, empresas passaram a apostar o máximo possível nos trabalhos remotos, mas alguns setores sofrem as consequências desse modelo

Foto: Agência Brasil/Tyrone Siu

O surto do novo coronavírus (ou 2019 n-CoV, nome com o qual a comunidade científica batizou esta nova mutação do vírus) está causando uma transformação de grandes proporções na China, não só no que diz respeito às medidas de saúde como também na forma em que as empresas estão buscando para continuar funcionando apesar do problema.

Atualmente, há centenas de cidades chinesas em quarentena, praticamente “fechadas”, ninguém pode sair ou entrar dos perímetros urbanos, e até o transitar dentro delas, pelas ruas, tem sido coibido pelas autoridades e pelos próprios cidadãos, devido ao temor pelo alto poder de contágio do 2019 n-CoV.

Uma das soluções encontradas para manter o país economicamente ativo, dentro do possível, é a do trabalho desde casa, usando a tecnologia 5G, videoconferências e aplicativos digitais que permitem realizar muitas tarefas sem precisar estar em um escritório ou oficina.

Por exemplo, a agência de publicidade Reprise Digital, com sede em Shanghai, vem mantendo seus pouco mais de 400 empregados trabalhando em casa nas últimas semanas. “É uma boa oportunidade para provar este tipo de trabalho em grande escala”, comentou o diretor-gerente da empresa, Alvin Foo.

No entanto, essa prática não favorece todos os setores. Como o comércio e a hotelaria, que precisam da presença dos fregueses e hóspedes, e de trabalhadores presentes que os atendam. Por exemplo, o empresário Tiko Mamuchashvili, que trabalha na organização de eventos no hotel Hyatt de Pequim, reclama pelo cancelamento de diversos trabalhos que tinha em sua agenda neste mês de fevereiro. “Meu trabalho nos últimos dias se resume a responder e-mails, e isso não me traz nenhuma renda”, reclama.

A capacidade industrial também está sendo fortemente afetada, já que tampouco pode utilizar trabalho remoto. Por exemplo, a Casetify, empresa de capas para celulares com sede em Hong Kong, esperava duplicar suas ventas neste 2020, mas sua linha de fabricação se encontra parada, e o estoque de produtos já prontos para serem distribuídos durante os próximos 30 dias no máximo. Para o caso de que a atividade normal não possa ser retomada nesse período, a empresa já cogita uma série de planos alternativos, que talvez envolvam operar em outros países.

Talvez esta seja a principal pergunta que se faz quando se fala no trabalho desde casa como uma tendência global é sobre os efeitos dela na produtividade. Um estudo realizado em 2015 pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, provou os efeitos dele com todos os trabalhadores do centro de atenção telefônica da agência de viagens chinesa Ctrip. O resultado foi uma melhora de 13 % da produtividade, devido ao ambiente mais cômodo. O problema continua sendo, portanto, que nem todos os ramos podem utilizar essa modalidade.

Por exemplo, o que acontece com o setor financeiro. Segundo a agência Bloomberg, as transações bancárias neste mês de janeiro caíram em quase 50% em comparação com o mesmo período de 2019. Neste sentido, o analista financeiro Ting Lu, da consultora japonesa Nomura advertiu que “o pior ainda está por vir”, e que os efeitos do vírus para a economia chinesa podem ser piores que os provocados pela gripe SARS, entre 2002 e 2003.


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