De volta aos trabalhos, CPI da Covid vai focar em esquemas de corrupção na compra de vacinas

Nesta semana a Comissão deve ouvir o pastor Amilton Gomes, que negociou milhares de doses em nome do governo federal

Com o fim do recesso do parlamentar, a CPI da Covid retoma os trabalhos nesta terça-feira (3). Dois núcleos de investigação já foram encerrados: “ministério paralelo”, imunização de rebanho e a omissão do governo de Jair Bolsonaro no combate à pandemia ao apostar em teses negacionistas.

Agora, o núcleo duro da CPI quer focar nos esquemas de corrupção na compra de vacinas e buscar entender qual foi o papel dos intermediários que negociaram imunizantes em nome do governo federal.

Dessa maneira, na terça-feira a Comissão vai ouvir o Reverendo Amilton Gomes, na quarta (4) o coronel Marcelo Blanco e, na quinta (5), o empresário Airton Antonio Soligo, mais conhecido como Airton Cascavel.

O reverendo está a frente da Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários), que atua como uma espécie de ONG e o religioso é apontado como aquele que construiu a ponte entre a Davati e o Ministério da Saúde na negociação de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Por sua vez, o coronel Marcelo Blanco e Cascavel são apontados como aqueles que lideraram o esquema de propinas na compra de vacinas.

Para o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) não há dúvidas de que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) prevaricou, mas, agora eles querem entender como se deu e qual foi o tamanho do papel do presidente nas negociações de vacinas.

“Não tem dúvida o crime de prevaricação no caso da Covaxin. Esse crime não há dúvidas. O que nós estamos investigando é porque o presidente prevaricou. O senhor presidente, tendo recebido a notícia de um esquema de corrupçãdo em curso no âmbito do Ministério da Saúde, não tomou providências. E também há outros cirmes. Nós estamos procurando os liames entre os crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, tráfico de infuência e os demais”, disse Randolfe Rodrigues ao O Globo.

Precisa

Um dos depoimentos mais esperados é do empresário Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, empresa responsável pela negociação da vacina indiana Covaxin.

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O empresário deveria depor nesta terça, porém, Maximiano apresentou o seu passaporte com viagem marcada para a Índia e, portanto, o seu depoimento deve acontecer entre os dias 10 e 12 de agosto.

“Nós já conseguimos provar que houve crime contra a saúde pública e que houve crime contra a vida. Crime sanitário que é contra a saúde é imunização de rebanho defendida abertamente por deputados e defendida por pessoas aí do governo que levou a morte de muitas pessoas”, declarou o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (PSD-AM) em entrevista a Globo News na noite deste domingo (1).

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“Homenagem” ao presidente Jair Bolsonaro

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) tem um sido um dos principais personagens dentro da CPI e, assim como o seu discurso de posse, a reabertura dos trabalhos da Comissão vai contar com um recadinho de Calheiros para o presidente Bolsonaro.

De acordo com informações do jornalista Guilherme Amado, o senador Renan Calheiros preparou um vídeo com um mix de falas negacionistas do presidente Bolsonaro.

O objetivo do senador é refrescar a memória das pessoas sobre a postura negacionista e genocida de Bolsonaro diante da pandemia, postura esta que levou o Brasil a mais de 500 mil mortos pela Covid-19.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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