“Só espero que Bolsonaro não chame o Temer pra fazer uma notinha sobre Ricardo Barros”, ironiza Omar Aziz

Na CPI, "sócio oculto" protege Ricardo Barros: "Não pode mencionar o Deputado R*o B*?"

Ninguém duvida da importância do trabalho que tem sido feito pela CPI da Covid [também conhecida como CPI do Genocídio], mas é fato que os últimos depoimentos têm sido marcados pelo direito ao silêncio dos depoentes que, quando resolvem falar, caem em contradições profundas… e não faltaram ameaças de prisão.

O que nos levar a questionar se a CPI já não cumpriu o seu trabalho ao revelar ao Brasil o “Gabinete Paralelo”, que fez da população brasileira uma grande cobaia para testar medicamentos ineficazes contra a Covid e os escândalos envolvendo propina a compra de vacinas.

E a toada do “direito Constitucional ao silêncio” não está sendo diferente com o depoimento desta terça-feira (14) com o empresário Marcos Tolentino da Silva, advogado, possível “sócio oculto” da empresa FIB Bank e amigo do deputado Ricardo Barros (PP), líder do governo Bolsonaro.



Não pode falar o nome do líder do governo


Aparentemente, os senadores que levam o trabalho da Comissão à sério também já entenderam a estratégia adotada pelos últimos depoentes e, ao invés da irritação, o deboche e as gargalhadas têm sido a ferramenta para lidar com a perda de memória dos depoentes.

Ao ser questionado pelo presidente da Comissão, senador Omar Aziz (PSD-AM), sobre os investimentos de Tolentino em negócios de precatórios.

Quantos negócios de precatório o senhor manteve ao mesmo tempo com Luís Fernando Belmonte, vice-presidente do Aliança Brasil, fora os precatórios do Sindicato dos trabalhadores de Educação de Roraima.

O advogado e empresário confirmou que tem negócios nos referidos precatórios, mas afirmou que está tudo em conformidade.

Todavia, o senador Aziz alertou: “É bom os trabalhadores do sindicato da Educação ficarem de olho para ver onde estão investindo o seu dinheiro… se está vendo que coloca recurso do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Roraima em precatórios, compra de precatórios que o senador Randolfe, como sempre, está muito bem-informado, lá atrás o líder, volto a repetir, o líder do governo Bolsonaro na Câmara…”.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com deboche, interrompe: “Qual é o nome dele?”. “Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro… só espero que o presidente Bolsonaro não chame o Temer para fazer uma nota para pedir desculpa por causa do Ricardo Barros”, tripudia Omar Aziz.

“Acho que já está rolando uma cartinha de desculpa”, debochou Randolfe.

Os senadores se referiam ao fato de o líder do governo estar defendendo a tese do governo federal de dar calote nos precatórios para patrocinar o programa Auxílio Brasil.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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