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02 de fevereiro de 2012, 09h48

CPT denuncia fraude em documentos de fazendeiro acusado pela morte de missionária

Representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e religiosas da Congregação Notredame, que atuam no município de Anapu, onde foi assassinada a missionária americana Dorothy Stang, apresentaram hoje (13), em Belém (PA),novos documentos sobre o caso.

Segundo eles, os registros podem comprovar que o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão – acusado de ser um dos mandantes do crime – teria utilizado "laranjas" e fraudado documentação de posse do lote onde funciona o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança – criado pela missionária.

De acordo com o agente pastoral da CPT Ronaldo Pantoja, Regivaldo tem fraudado comprovantes de compra e venda desse lote desde 2000.

“Queremos que a Polícia Federal e o Ministério Público investiguem esses documentos. Desde 2000, eles vêm fraudando documentos para fugir da Justiça”, afirmou Pantoja. “Uma hora ele diz que é dono, em outro momento ele nega ser dono”, completou o agente referindo-se ao fato de que Regivaldo alegou à Justiça que não tinha relação com o lote, por isso, não teria interesse na morte da missionária.

Já no último dia 28, em reunião realizada entre representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e agricultores, Regivaldo disse, segundo ata do encontro, que é dono do lote e possui documentos que comprovam a titularidade.

Hoje, as religiosas apresentaram novos documentos, descobertos durante a investigação policial, que contradizem as alegações do fazendeiro. Até o momento, o único documento de conhecimento público era de abril de 2004 no qual o fazendeiro Regivaldo repassava os 3 mil hectares por R$ 1,6 milhão para Viltamiro Bastos de Moura, o Bida – também acusado de ser mandante do assassinato da missionária.

Dois novos contratos, entretanto, apresentam um novo cenário com relação à posse do local. Em outubro de 2002, de acordo com os documentos, a área havia sido comprada por Valdivino Felipe Andrade Filho, funcionário do fazendeiro Regivaldo. Os cheques utilizados para o pagamento do terreno, entretanto, eram do fazendeiro.

Outro documento, datado de 28 de abril de 2004, aponta que Bida comprou metade da área – que estava em nome de Valdivino – por R$ 633 mil. O surgimento desse contrato mostra que Bida teria comprado o mesmo local duas vezes em um período de menos de um mês.

Com os documentos, as religiosas e a CPT querem reacender novamente a tese de que foi formado um “consórcio”, liderado por Regivaldo e Bida, para assassinar Dorothy.

“Apesar de todos os documentos constarem nos autos do processo, eles não foram analisados com o devido cuidado e atenção. Então queremos que as autoridades voltem a investigar”, disse a religiosa Julia Depwe, que veio para o Brasil há 30 anos com Dorothy Stang.

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Agência Brasil


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