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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Cresce o número de deslocados pelo conflito armado na Colômbia

Em 2008, o número de pessoas forçadas a deixar suas casas aumentou na Colômbia em consequência do conflito armado interno que vive o país. A constatação foi do Sistema de Informação sobre Deslocamento Forçado e Direitos Humanos (SISDHES), elaborado pela Consultoria para os Direitos Humanos e Deslocamento (Codhes).
No boletim divulgado ontem (22), intitulado "Vítimas emergentes: deslocamento, direitos humanos e conflito armado", a Codhes aponta que 380.863 pessoas (76.172 núcleos familiares) foram obrigadas a abandonar suas moradias ou trabalho durante o ano passado. O incremento registrado em relação a 2007 foi de 24,47%. A taxa de deslocamento passou de 713 pessoas deslocadas por cada cem mil habitantes em 2007 para 888 em 2008.

Os dados do Sistema registram, desde 2006, uma tendência crescente no deslocamento forçado, refletindo a consolidação de hegemonias armadas ilegais depois de combates em que a população camponesa se converteu em objetivo militar e suas terras e bens em troféu de guerra. Nos últimos três anos, quase um milhão de pessoas foram deslocadas.

"Em 2008, os deslocados emergiram por todo o país, mas pareciam invisíveis, relegados a um plano secundário no universo das vítimas civis de um conflito armado em que as partes enfrentadas continuam agredindo a população que não participa das hostilidades, em uma forma de degradação que parece não ter limites", ressalta o informe do Codhes.

As regiões mais afetadas foram Bogotá (56.087 pessoas); Antioquia (51.918); Vale do Cauca (31.527); Magdalena (27.256); Nariño (24.662); Meta (16.370); Cauca (16.344); e Córdoba (12.879). O departamento de Magdalena foi o que apresentou maior aumento em relação a 2007, com 143% de deslocamentos a mais.

Cerca de 13.500 pessoas pertencentes a povos indígenas foram deslocadas em 2008, o que representa 3,5% do total da população deslocada na Colômbia. Os deslocamentos aceleram o extermínio e a fragmentação dessas comunidades, motivo pelo qual a Corte Constitucional declarou em emergência humanitária 34 povos indígenas que sobrevivem nas regiões mais afetadas pela violência.

O informe destaca ainda a violência sexual como arma de guerra, provocando os deslocamentos de mulheres. As mulheres, as meninas e as adolescentes constituem a maioria do total da população deslocada, correspondendo a 52%. Em uma pesquisa da Defensoria Pública realizada com 2.100 mulheres, 17% delas admitiram situações de deslocamento forçado como consequência de agressões e violência sexual.

"A saída forçada não é somente pressionada por aqueles que impõem controle hegemônico em uma zona ou por aqueles que disputam um território. O deslocamento também está associado ao interesse de grupos econômicos legais ou ilegais, nacionais ou internacionais, que promovem macroprojetos, exploração de recursos naturais ou imposição de monocultivos para produção de agrocombustíveis em zonas de conflito", alerta o relatório.

Com informações da Adital.


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