quarta-feira, 30 set 2020
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Crise no PDT: partido tira Gadêlha da direção municipal do Recife após ele insistir em candidatura

Deputado federal havia anunciado desistência; direção nacional da sigla de Ciro Gomes quer apoiar PSB na cidade por “projeto” para o presidenciável

O PDT tirou o deputado Túlio Gadêlha da direção municipal do partido no Recife, depois que ele resolveu manter sua candidatura à prefeitura da capital pernambucana. A direção nacional do partido quer que a legenda componha chapa com o PSB. O candidato pessebista é o deputado federal João Campos, filho do ex-governador e ex-presidenciável Eduardo Campos. A chapa já tem apoio de MDB, PP, Republicanos e outros partidos.

Na sexta-feira (11), Gadêlha anunciou que que desistia de sua candidatura à prefeitura. A ideia do partido é costurar o maior número de alianças municipais possíveis neste ano com o PSB. Isso já preparando uma possível coligação com vistas à candidatura presidencial de Ciro Gomes em 2022.

Seu grupo queria, no entanto, indicar o enfermeiro Rodrigo Patriota para vice de Campos. Patriota é crítico da atual gestão do PSB na cidade e já liderou atos pedindo melhores condições de trabalho. “Queríamos que eles fizessem uma autocrítica”, afirmou o deputado à Fórum.

Mas o nome não foi aceito. O presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, anunciou que a candidata a vice-prefeita seria a ex-vereadora Isabella de Roldão. Diante disso, Gadêlha voltou atrás e na última segunda-feira (14) anunciou que iria manter sua pré-candidatura. A convenção é nesta quarta-feira (16).

Segundo Lupi, a direção municipal recifense era, na verdade, uma comissão provisória. “A comissão é provisória e pode ser trocada a qualquer momento. A Executiva estadual já fez a troca”, afirmou ele à Fórum. Quando questionado se ela não tinha seguido a orientação nacional do partido, de compor a chapa com o PSB, ele respondeu que era isso.

Via judicial

Gadêlha disse à Fórum que o grupo destituído da direção municipal do PDT no Recife entrou com mandado de segurança para reaver os cargos. Ele confirma que era uma comissão provisória, conforme prevê o estatuto, mas que tem vigência de três meses. “Se tem vigência definida, como pode ser provisória e ser destituída a qualquer momento?”, questiona.

Se sua candidatura não for homologada na convenção, o deputado disse que pretende apoiar apenas os candidatos a vereador que fazem parte de seu grupo. Segundo ele, foram lideranças que se aproximaram do partido ao longo da construção de sua candidatura. “Discutimos um projeto para a cidade”, afirma.

E nega que vá endossar a campanha de Campos, do PSB: “Faço política programática, não pragmática. Não tenho condição subir em palanque de alguém que não acredito”, finalizou.

Fabíola Salani
Fabíola Salani
Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.