Crítico do “toma lá, dá cá”, Bolsonaro oferece cargos ao centrão para isolar Maia

Presidente negocia com PP, PSD, PL e Republicanos, e é atacado por deputados de seu antigo partido, o PSL

Apesar de dizer que não quer negociar com o Congresso, o presidente Jair Bolsonaro aderiu mais uma vez ao “toma lá, dá cá” que tanto criticou na “velha política” e avança nos bastidores com ofertas de cargos a partidos do chamado centrão. O objetivo é tentar isolar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e melhorar a base governista, depois de sucessivas derrotas no Parlamento.

Segundo apontaram nesta semana alguns deputados e uma apuração do jornal Folha de Folha de S.Paulo, o comando do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) foi oferecido ao PP, e o da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), ao PSD. Também estariam na mesa secretarias em ministérios e cargos importantes em estatais para PP, PL e Republicanos.

O PP ficaria com a presidência do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). Já o PL teria o Banco do Nordeste e a Secretaria de Vigilância em Saúde, da equipe do novo ministro da Saúde, Nelson Teich.

O Republicanos poderia ficar com a presidência da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e com a secretaria de Mobilidade do MDR. Outros 77 cargos estaduais teriam sido colocados à disposição dos partidos em troca de apoio.

Nesta terça-feira (21), deputados federais do PSL, antigo partido de Bolsonaro, criticaram as negociações. Os parlamentares são da ala que rompeu com o governo e entrou em rota de colisão com o presidente, incluindo Joice Hasselmann (SP). Ex-líder do governo, ela denunciou o “loteamento de cargos” e afirmou que “Bolsonaro trai tudo que prometeu ao povo brasileiro“.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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