Datafolha: 22% dos brasileiros dizem que não vão se vacinar contra a Covid-19

Pesquisa anterior mostrava apenas 9% sem intenção de se imunizar; doses dos EUA são as mais aprovadas, e as da China, as mais rejeitadas

Não são só os números de casos e mortes de Covid-19 que estão crescendo no país. Pesquisa Datafolha mostra que também avança o percentual de brasileiros que, a despeito da evolução da pandemia, não pretendem se vacinar contra o novo coronavírus.

O levantamento mais recente do instituto mostra que 22% dizem que não vão tomar nenhuma dose dos imunizantes, enquanto 73% disseram que vão participar da imunização —outros 5% disseram que não sabem. Pesquisa nacional feita em agosto apontava que apenas 9% não pretendiam se vacinar, contra 89% que diziam que sim.

No Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19 enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (11), o Ministério da Saúde diz que ao menos 70% da população se imunize para barrar o vírus.

A pesquisa foi feita via telefone celular com 2.016 brasileiros adultos que possuem celular (90% da população do país) entre 8 e 10 de dezembro em todas as regiões e estados do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Guerra das vacinas

O aumento do percentual dos que não querem se imunizar se dá em meio ao recrudescimento de uma verdadeira “guerra das vacinas” travada entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o governador João Doria (PSDB).

O tucano fechou em julho uma parceria com o laboratório chinês Sinovac para que a Coronavac, dose que ele está desenvolvendo, seja produzida pelo Instituto Butantan. A dose inclusive já começou a ser fabricada pelo órgão, mesmo sem ter ainda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Depois que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, anunciou que o governo compraria 46 milhões de doses da Coronavac, Bolsonaro foi às redes sociais e desautorizou seu auxiliar, dizendo que não compraria a “vacina chinesa de João Doria”.

A pasta fechou acordo para compra do produto que está desenvolvido pela Universidade Oxford com o laboratório AstraZeneca. No Brasil, ela será fabricada pela Fiocruz. Mas seus estudos tiveram que ser refeitos e não há previsão de quando sua eficácia será certificada.

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Os apoiadores de Bolsonaro passaram a atacar a Coronavac, chamando-a de “vachina”, e muitos começaram a dizer que não tomariam nenhuma dose.

Esse fator se reflete na pesquisa. Ao todo, 33% dos brasileiros que dizem sempre confiar no presidente Jair Bolsonaro disseram que não vão se vacinar, enquanto esse número cai para 16% entre os que dizem que nunca confiam no chefe do Executivo.

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Origem do medicamento

O Datafolha perguntou ainda aos entrevistados se eles tomariam vacinas originárias de determinados países. Se o produto fosse desenvolvido nos EUA, 74% concordariam em aplicá-lo. O percentual ficou em 70% para vacinas da Inglaterra, 60% para Rússia e apenas 47% para China. O país asiático é a sede do laboratório Sinovac, que desenvolveu a CoronaVac.

A pesquisa Datafolha mostra também que a maioria dos brasileiros (56%) disse querer que a vacina seja obrigatória para toda a população, enquanto 43% são contrários à obrigatoriedade.

Bolsonaro tem se colocado contra essa obrigatoriedade. Defende que as pessoas precisam ter “liberdade para escolher”, e nesta semana chegou a dizer que “vacina obrigatória, só a antirrábica”.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.

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