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02 de julho de 2020, 19h43

Depoimento de Queiroz reforça suspeita de vazamento na PF que beneficiou Bolsonaro

No caso da “rachadinha”, o Ministério Público do Rio intimou Flávio Bolsonaro e a mulher para prestar depoimento

Flávio Bolsonaro, com o ex-assessor Fabrício Queiroz e com o pai, Jair (Montagem)

O Ministério Público Federal ouviu na tarde desta quinta-feira (2) Fabrício Queiroz, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), no Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. O depoimento levou cerca de 2 horas e 30 minutos.

Os procuradores buscam detalhes do suposto vazamento da Operação Furna da Onça para beneficiar Jair Bolsonaro nas eleições de 2018. Segundo o promotor Eduardo Benones, coordenador do Núcleo de Controle Externo da Atividade Policial do Ministério Público Federal, que ouviu o ex-assessor, o depoimento de Queiroz não nega que houve vazamento na operação.

Segundo informações da Globonews, procuradores avaliaram que depoimento reforça suspeitas de vazamento. O suposto vazamento foi denunciado pelo empresário Paulo Marinho, que apoiou Bolsonaro durante a campanha eleitoral para a Presidência da República.

Queiroz está em Bangu desde 18 de junho. O depoimento desta quinta foi o segundo desde que ele foi preso no interior de São Paulo, na casa de Frederick Wassef, ex-advogado de Flavio Bolsonaro. Na última segunda-feira (29), Queiroz disse que não teve informações privilegiadas de operações.

Queiroz está preso por suspeita de atrapalhar as investigações de outro caso, o da “rachadinha”. Segundo o Ministério Público do Rio ele era o operador de um esquema de corrupção no antigo gabinete de Flávio Bolsonaro, quando ele era deputado estadual, envolvendo o desvio de parte dos salários de seus funcionários..

A Operação Furna da Onça teve como alvo parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e investigou o suposto pagamento de propina aos deputados, com valores mensais entre R$ 20 mil e R$ 100 mil — além de cargos — para votar de acordo com o interesse do governo. O esquema teria movimentado pelo menos R$ 54 milhões, segundo a PF.

Em sua denúncia, Paulo Marinho alegou que Flávio Bolsonaro foi avisado com antecedência sobre a investigação sigilosa porque ela também iria atingir funcionários do gabinete dele na Alerj. Foi durante a Furna da Onça que os investigadores chegaram ao nome de Queiroz no esquema da “rachadinha”.

Flávio e mulher são intimados na ‘racahdinha’

O Ministério Público do Rio intimou nesta quinta (2) Flávio Bolsonaro e sua mulher, Fernanda, para prestar depoimento no caso da “rachadinha”. Ela foi intimada a depor na próxima segunda-feira e ela na segunda ou na terça, conforme escolha do senador.

A convocação partiu do Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc). O Gaecc coordenava as investigações sobre peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no gabinete de Flávio desde março do ano passado. No entanto, na semana passada, a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) decidiu dar foro especial para o senador e enviar o caso para a segunda instância.

Com isso, o titular da investigação se tornou o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem. Para que Gaecc pudesse continuar nas investigações, a procuradoria-geral de Justiça formalizou um termo de cooperação do grupo de promotores com o procurador-geral na investigação. A defesa de Flávio criticou a convocação, citando que a atribuição seria apenas de Gussem.

O MP fez uma reclamação nesta semana ao Supremo Tribunal Federal pedindo que o caso volte à primeira instância. A expectativa é que o recurso seja julgado apenas em agosto.

A mudança de juiz do caso ocorreu na semana passada depois que a 3ª Câmara Criminal decidiu por 2 votos a 1 dar foro especial a Flávio e negar a competência do juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal, primeira instância. Desde abril do ano passado, Itabaiana tinha determinado as medidas cautelares do caso. O magistrado já tinha determinado a quebra de sigilo bancário e fiscal de Flávio e outras 103 pessoas e empresas, além de mandados de busca e apreensão. Também foi juiz que decretou a prisão de Queiroz, e de sua mulher dele, Márcia Oliveira de Aguiar, que está foragida.


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