Deputados do PSOL fazem representação no MPF contra Bolsonaro por homofobia

Presidente tomou Guaraná Jesus, refrigerante rosa típico do Maranhão, e disse que tinha virado “boiola igual maranhense”

Deputados do PSOL e ativistas ligados ao partido anunciaram na tarde desta quinta-feira (29) que entrarão com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) por homofobia.

O titular do Planalto presidente fez piadas de cunho homofóbico em visita oficial ao Maranhão nesta quinta-feira. Ao tomar o guaraná Jesus, típico da região, que é cor-de-rosa, ele disse que “virou boiola igual maranhense”.

A representação é assinada pelos deputados federais do PSOL Fernanda Melchionna (RS), David Miranda (RJ), Sâmia Bomfim (SP), a estadual Luciana Genro (RS) e o distrital Fábio Félix (DF). Também subscrevem o documento as ativistas Natasha Ferreira, que luta pelos direitos das pessoas trans em Porto Alegre e Mônica Benício, viúva de Marielle Franco. Ainda assinam a representação também os ativistas LGBTI+ Sara Azevedo (MG), Ari Areia (CE), Luana Alves (SP), Erika Hilton (SP) e Vivi Reis (PA).

“É absurdo que esse tipo de comentário homofóbico e desrespeitoso com o povo do Maranhão aconteça”, diz Fernanda Melchionna, em nota sobre a ação. “Não é a primeira vez que Bolsonaro é preconceituoso com as pessoas LGBTI+. A campanha dele foi baseada em LGBTIfobia e o governo se dedica a atacar os direitos humanos dessa população a todo momento”, prosseguiu. “O STF já definiu que a discriminação é crime e nós vamos fazer valer essa decisão”, concluiu a parlamentar.

Segundo David Miranda, “práticas discriminatórias e violadoras de direitos não podem prosperar e não iremos aceitá-las em silêncio, especialmente quando emanadas do presidente da República”. Para o deputado federal, manifestações como a propagada pelo presidente são um incentivo “aos piores tipos de preconceitos e violências contra a população LGBTI+”.

A ativista Natasha Pereira destacou que Bolsonaro é presidente do país que mais mata LGBTI+ no mundo.  “Como mulher transexual, é triste e revoltante ver minhas companheiras trans e travestis morrendo enquanto o presidente não faz nada para combater a violência e ainda a estimula”, finalizou ela na nota que trata da representação.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.