Desigualdade social no Brasil recuou ininterruptamente entre 2002 e 2015, diz pesquisa

Estudo desenvolvido pelo Insper revela que, no período analisado, mais de 16 milhões de pessoas saíram da pobreza

Estudo elaborado pelo Insper mostra que a diferença social no Brasil caiu de forma ininterrupta entre os anos 2002 e 2015, momento em que o Brasil era governado pelo PT (Lula 2002-2010/Dilma 2010-16).

Após o golpe, que tirou a presidenta Dilma Rouseff (PT) do poder, a desigualdade social voltou a crescer.

A pesquisa revela que todas as camadas da sociedade (pessoas adultas) e situadas abaixo dos 29% mais ricos tiveram crescimento de renda acima da média nacional de 3% no período estudado.

Por outro lado, o estudo também mostra uma faceta mais igualitária na forma como a riqueza foi distribuída, visto que a parcela mais rica da sociedade brasileira teve crescimento médio anual entre 2,4% e 2,9%, ou seja, inferior à média do país.

A única parcela que destoa de todo o resto, são aqueles que fazem parte do topo da pirâmide social.

A configuração apontada pelo estudo do Insper estaria por trás da queda da desigualdade brasileira medida pelo índice de Gini que vai de 0 (patamar hipotético que refletiria uma sociedade onde os recursos são igualmente distribuídos) e I (nível também conceitual, que indicaria um extremo de iniquidade).

Segundo o levantamento Insper, o Gini do Brasil recuou de 0,583 para 0,547, entre 2002 e 2017, o que correspondeu à saída de 16 milhões de pessoas da pobreza no período analisado.

A pesquisa do Insper foi coordenada pelos professores Ricardo Paes de Barros, Laura Muller Machado e Samir Cury, e o diretor da Open Social, Samuel Franco.

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O estudo será divulgado em sua íntegra na próxima segunda-feira (25).

Era Bolsonaro: 116 milhões de brasileiros não têm acesso pleno e permanente a comida

Pesquisa elaborada pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Rede PENSSAN) revela que período abrangido pelo levantamento (5 a 24 de dezembro de 2020) apenas 44,8% dos lares tinham seus moradores e moradoras em situação de segurança alimentar, ou seja, 55,2% dos lares conviviam com a insegurança alimentar, um aumento de 54% desde 2018 (36,7%).

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Em números absolutos, 116,8 milhões de brasileiros não tinham acesso pleno e permanente a alimentos, desses, 43,4 milhões (20,5% da população) não contavam com alimentos em quantidade suficiente (insegurança alimentar moderada ou grave) e 19,1 milhões (9% da população) estavam passando fome (insegurança alimentar grave).

O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 foi realizado em 2.180 domicílios nas cinco regiões do país, em áreas urbanas e rurais, entre 5 e 24 de dezembro.

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Com informações da Folha de S. Paulo

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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