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10 de julho de 2015, 11h34

Desvios da “Máfia do ICMS”, em SP, teriam conexão com Lava-Jato

A cúpula da Receita estadual começou a ser trocada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), depois que o doleiro Alberto Youssef revelou esquema de pagamento de propinas a servidores públicos por empresas, em troca da redução do ICMS ou das multas pelo tributo devido.

A cúpula da Receita estadual só começou a ser trocada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), depois que o doleiro Alberto Youssef revelou esquema de pagamento de propinas a servidores públicos por empresas, em troca da redução do ICMS ou das multas pelo tributo devido

Por Redação

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), trocou a cúpula da Receita estadual, em meio às investigações de desvios bilionários do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por fiscais do Estado. Pelo menos dez servidores já foram exonerados. Em nota, a Secretaria Estadual da Fazenda afirmou, de forma genérica, que “a recomposição de cargos e funções decorre de ajustes implementados pela nova gestão da pasta”.

O Grupo Especial de Repressão a Delitos Econômicos (Gedec), do Ministério Público Estadual (MPE), e a Polícia Civil investigam os funcionários do governo por enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O grupo é suspeito de cobrar propina de empresários em troca da redução do ICMS ou das multas pelo tributo devido.

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Não por acaso, as exonerações começaram a ser publicadas no Diário Oficial um dia após o doleiro Alberto Youssef ser ouvido na carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, sobre pagamentos de propina a fiscais do ICMS em São Paulo. Em outubro de 2014, ele já havia contado à Justiça ter dado R$ 5 milhões a servidores paulistas para quitar pendências da Pirelli Cabos Elétricos com a Receita estadual. Segundo ele, o pagamento foi feito a pedido do executivo Julio Camargo – outro delator na Lava Jato -, que havia sido contratado pela empresa.

No último mês, Youssef revelou ainda que Camargo representava a Pirelli em 2010 e que foi procurado porque a empresa precisava pagar propina a fiscais do ICMS, pois teria dívidas muito altas com o Fisco paulista. Youssef também informou nomes de outros agentes públicos que participaram do esquema, que teria durado pelo menos quatro anos e movimentado mais de R$ 15 milhões em propina.

Foto de capa: EBC


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