Dia histórico: chilenos lotam ruas para acompanhar apuração do plebiscito que deve enterrar Constituição de Pinochet

A adesão à votação, que é voluntária no Chile, foi surpreendente, e espera-se a aprovação acachapante da proposta de se criar uma nova Constituição; urnas já estão sendo apuradas

Ainda que nem metade das urnas do plebiscito realizado neste domingo (25) no Chile tenham sido apuradas, o dia já pode ser considerado histórico para os chilenos. O temor de uma baixa adesão à votação, como ocorreu em pleitos recentes, foi superado, e dezenas de milhares de pessoas formaram filas para votar se aprovam ou não a mudança da Constituição de 1980, instaurada durante a ditadura de Augusto Pinochet.

A Constituição de Pinochet é apontada como uma das principais bases para o neoliberalismo desenfreado que causa tantas desigualdades no país andino. A proposta de um plebiscito, para que a população decida se quer uma nova Carta Magna, foi uma conquista dos chilenos que saíram às ruas em 2019 e abalaram as estruturas do governo de Sebastián Piñera. Inicialmente, o pleito estava marcado para abril, mas foi adiado devido a pandemia do coronavírus.

Caso a mudança da Constituição seja aprovada, uma nova será redigida por uma assembleia constituinte, com membros eleitos também pela população, e esse órgão será composto em 50% por mulheres.

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Já na madrugada deste domingo já era possível observar filas de pessoas esperando para votar em uma série de regiões do país, principalmente na capital Santiago. Com a alta adesão da população, espera-se que a aprovação para a criação de uma nova Constituição tenha uma vitória acachapante. Às 21h20 deste domingo (25), 19,05% das urnas haviam sido apuradas e a mudança da Carta Magna já estava com adesão de 77,50%, contra 22,50% de votação daqueles que querem manter a Constituição de Pinochet.

A votação foi encerrada, oficialmente, às 19h e, desde então, cada vez mais pessoas têm lotado as ruas de Santiago, principalmente a Plaza de la Dignidad (Praça da Dignidade), para acompanhar a apuração dos votos do plebiscito e comemorar o provável fim da Constituição do ditador. A praça foi um dos principais cenários das manifestações históricas de 2019.

“Num clima alegre e festivo, os manifestantes foram crescendo em número, e por volta das 19h45 já se observa que a praça foi enchendo, sem que os Carabineros tivessem que agir”, reportou o site chile El Desconcierto.

Além da comemoração do resultado que será divulgado em breve, há chilenos planejando uma manifestação “renúncia Piñera”, pedindo a saída do atual presidente.

Acompanhe a mobilização na Plaza de la Dignidade ao vivo.

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.