Dia histórico para a classe trabalhadora: a CUT faz 37 anos

A luta pelos direitos do trabalhador atacado pelo autoritarismo de Bolsonaro, as ameaças da precarização e as novas formas de contratação e tecnologias são os principais desafios da CUT para os próximos anos

A Central Única dos Trabalhadores (CUT), maior central sindical da América Latina, completa 37 anos nesta sexta-feira (28).

São quase quatro décadas de luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras do país.

A central nasceu durante a ditadura e, por isso mesmo, já surgiu sob o signo do enfrentamento.

Fundada em 1983, exerceu um papel importante na luta pela redemocratização do país.

Hoje, a CUT elenca suas principais vitórias em favor dos trabalhadores e das trabalhadoras, entre elas estão “a lei que garantiu direitos às empregadas domésticas e a regulamentação de jornadas de trabalho; além do fortalecimento do setor público, da agricultura familiar e da elaboração e implantação da política de valorização do salário mínimo, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, mais recentemente, o pagamento do auxílio emergencial de R$ 600,00”.

No entanto, 37 anos depois, a CUT vê sua luta voltada aos tempos de sua fundação, o autoritarismo e a ameaça ao regime democrático estão cada dia mais latentes.

Como disse Sérgio Nobre, presidente da CUT, a central se depara hoje com os mesmos problemas de outrora: “A CUT nasceu lutando pela democracia e hoje temos um governo autoritário que defende a ditadura, ataca e suprime as liberdades e quer destruir o movimento sindical e todas as formas de defesa dos direitos da classe trabalhadora”, comenta.

Porém, se por um lado a velha e irrefreável luta contra as forças conservadoras se faz presente e necessária, novos problemas carecem de atenção e enfrentamento.

Desde o golpe que retirou Dilma Rousseff do poder, em 2016, os trabalhadores vêm sofrendo derrotas fragorosas no parlamento.

Os direitos trabalhistas foram minguando ao longo desse período, o desemprego só aumenta e surgiram, ainda, novas e precarizadas relações de trabalho. Como, por exemplo, a chamada uberização da mão-de-obra, com trabalhadores sendo explorados, sem vínculos formais com o patronato e sem proteção jurídica, previdenciária, de saúde ou contratual.

O cenário é desafiador. Quem não está sem emprego, equilibra-se em uma moto ou bicicleta com uma caixa quadrada nas costas, percorrendo longos percursos, a levar comida à casa de clientes que são clientes dos clientes de seus patrões.

Funciona mais ou menos assim: uma empresa contrata outra empresa, que contrata um trabalhador que, ao fim e ao cabo, não sabe para quem trabalha.

A fulanização das regras trabalhistas acabou por terceirizar as relações laborais, as pessoas são contratadas por cadastro na internet e trabalham em função de um aplicativo, sem nunca verem quem são os patrões ou as patroas.

Sergio Nobre diz que a CUT está preparada para mais esse combate: “Nossa luta é uma luta civilizatória. A CUT está aberta a debater qualquer forma de contratação desde que haja direitos, proteção, segurança contra o desemprego e aposentadoria decente para o trabalhador que não tiver mais idade para trabalhar”.

A CUT recebeu diversas manifestações de carinho e apoio vindas de parlamentares, artistas, ativistas e sindicalistas por conta de seu aniversário.

Confira vídeos comemorativos.

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Lelê Teles

Formado pela Universidade de Brasília, Lelê Teles é jornalista, roteirista e publicitário. É roteirista do programa Estação Periferia (TV Brasil) e da série De Quebrada em Quebrada (Prodav 09). Sua novela, Lagoas, foi premiada na Primeira Bienal de Cultura da UNE. Discípulo do Mestre Cafuna, prega o cafunismo, que é um lenitivo para a midiotia e cura para os midiotas.

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Renato Rovai
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