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22 de novembro de 2019, 11h05

Diagnóstico de morte encefálica é complexo e passa por mais de um especialista, conta neurologista

Para constatar a morte cerebral, dois médicos diferentes devem realizar o exame clínico, teste de apneia e exames complementares

Reprodução

Nesta quinta-feira (21), o apresentador Gugu Liberato foi internado em estado grave após cair de uma altura de quatro metros na casa onde mora em Orlando, nos Estados Unidos. A informação amplamente compartilhada nas redes foi que o comunicador teria sofrido uma morte cerebral, algo ainda não confirmado por sua assessoria. No entanto, o debate em torno da morte cerebral, ou morte encefálica, intensificou-se com a notícia do acidente de Gugu. A médica residente de neurologia no Hospital Geral de Fortaleza, Roberta Lessa, explica em entrevista à Fórum que o diagnóstico de morte encefálica é algo extremamente complexo e pode levar muitas horas, além de ser necessário passar por diversos pré-requisitos, a começar pelos especialistas encarregados.

Roberta conta que o Conselho Federal de Medicina (CFM) atualizou em 2017 os critérios para definir a morte encefálica e estabeleceu que o diagnóstico deve ser feito por outros especialistas além do médico neurologista. “O ideal é que um dos testes seja feito ou por neurologia ou por intensivista ou médico de emergência devidamente capacitados. Não apenas neurologista. Na ausência desses ostentes podem ser feitos por dois médicos capacitados”, conta.

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A morte encefálica, ou morte cerebral, ocorre quando há perda completa e irreversível das funções do cérebro, o que também é reconhecido como “a definição legal de morte”. Isto significa que, como resultado de grave agressão ou ferimento no cérebro, o sangue que vem do corpo e supre o õrgão é bloqueado, ocasionando sua morte.

Para diagnosticar um paciente com morte encefálica, é necessário cumprir o protocolo do CFM, que define todos os critérios e pré-requisitos necessários. A residente em neurologia explica que é necessário um exame de imagem para justificar que o cérebro não tem mais função, além disso, é obrigatório que o paciente esteja em observação por pelo menos seis horas. “Esse horário pode variar pelo uso de medicamento sedativo, que pode simular uma morte cerebral. Portanto, teria que esperar o medicamento sair do corpo”, acrescenta.

A partir do exame neurológico, é possível ter a certeza de que aquela pessoa já não apresenta reflexos cerebrais e, a partir desta constatação, o protocolo de morte cerebral é aberto. Roberta também conta que, muitas vezes, o paciente ainda está respirando, por ter seu corpo ligado a um ventilador mecânico. Ele também pode estar com batimentos cardíacos, o que dificulta para que familiares e amigos acreditem que o paciente evoluiu a óbito. Em alguns casos, a parada cardíaca pode ocorrer em até cinco dias depois do diagnóstico de morte cerebral.

“Quando a morte é cardíaca, é muito facil de ver, porque é visivel. A parte cerebral não, por isso os testes complexos são necessários. É por isso que as pessoas têm dificuldade de entender. Porém, é sempre importante deixar claro que morte cerebral é automaticamente uma morte do indivíduo. O cérebro é um órgão nobre que vai coordenar todas as funções do corpo. Se está sem atividade, é incompatível com a vida”, ressalta.

Doação de órgãos

A médica também afirma a importância deste debate, especialmente para quebrar tabus sobre doação de órgãos. “A maioria dos pacientes que tiveram morte cerebral são potenciais doadores de órgãos. A discussão de morte cerebral, portanto, anda junto com a doação. No final das contas, essa é uma decisão da família, e é importante que a pessoa informe sua família que quer ser doador”, aconselha Roberta.
Para ela, muitas pessoas ainda não sabem que existe essa possibilidade. E, se sabem, há ainda muito tabu envolvendo o assunto. “O que a gente vê no hospital é que muitos pacientes não se decidem sobre a doação, e é muito difícil para a família decidir isso na hora que o ente querido falece”, conta.

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