quinta-feira, 24 set 2020
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Dinheiro público: deputados do PSL gastam R$ 730 mil com empresas fantasmas

Dos 53 deputados federais eleitos pelo PSL, partido do presidente Jairo Bolsonaro, 20 gastaram R$ 730 mil com empresas que não existem nos endereços que constam nas notas fiscais. Isso em apenas 10 meses de mandato. O levantamento é do Estadão.

Os parlamentares do PSL foram eleitos com a bandeira da “nova política”, que é contra a corrupção, a troca de cargos por favores políticos, nomeação por critérios técnicos… Contudo, a renovação não aconteceu.

Somente Heitor Freire (CE) e Julian Lemos (PB) pegaram R$ 97 mil da verba indenizatória da Câmara dos Deputados para a impressão de panfletos e informativos sobre o trabalho realizado nos primeiros meses de mandato. No endereço apresentado pelos parlamentares como sede da empresa está um lava jato.

O deputado Delegado Pablo (PSL-AM) pagou R$ 100 mil para a manutenção das redes sociais. Ele contratou Igor Cordovil, atual secretário-geral do partido no Amazonas, para gerenciar seus perfis. A consultoria não funciona no local informado na nota fiscal.

Apenas entre maio e outubro, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), deputado Felipe Francischini (PSL-PR), pagou R$ 45 mil pelos serviços da Look Estratégias e Marketing. No endereço que consta na nota fiscal entregue à Câmara há uma placa de aluga-se. O último inquilino do local foi um consultório odontológico.

Os deputados Fábio Schiochet (SC) e Nereu Crispim (RS) também utilizaram os serviços da Look Estratégias e Marketing por R$ 12,5 mil e R$ 4 mil, respectivamente. O dono da empresa, Rafael Magalhães, confessou ao jornal que ela não funciona no local da nota fiscal.

Onde está instalado um salão de beleza, a nota apresentada pelo deputado Professor Joziel (RJ) atesta que funciona a empresa Total Gráfica e Editora. Lá, ele teria gasto R$ 41 mil com a impressão de jornais e solicitou verba indenizatória da Câmara.

Tentando se eximir da responsabilidade, a Câmara dos Deputados informou que “não chancela qualquer ilícito” e que cabe aos deputados confirmar que o serviço foi prestado e que a documentação apresentada pelo prestador é autêntica e legítima.