Diplomata sinaliza que Julien Blanc não entrará no Brasil; Itamaraty não confirma

Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgou nota repudiando ação do palestrante, que ensina ‘técnicas de conquista’ baseadas na intimidação e violência.

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Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgou nota repudiando ação do palestrante, que ensina ‘técnicas de conquista’ baseadas na intimidação e violência Por Redação O palestrante suíço Julien Blanc tem data marcada para vir ao Brasil, mas cerca de 260 mil pessoas já querem impedir a sua entrada. Esse é o número de assinaturas, até o momento, da petição online que denuncia os métodos divulgados por Blanc para conquistar mulheres, com uso de violência e intimidação. O curso está agendado nas cidades de Florianópolis e Rio de Janeiro para o início do ano que vem, a um preço de R$ 2,5 mil. Fontes do Ministério das Relações Exteriores sinalizam que a concessão de visto para o Brasil deve ser mesmo negada, já que o país tem reconhecida atuação na área de direitos humanos. Um diplomata ouvido pela Fórum, que preferiu não ser identificado, afirmou que o Itamaraty tem se mostrado atento ao assunto. “É uma instituição sensível a questões de gênero, sim. Não é perfeita, nenhum lugar é perfeito, mas esforços pesados pela defesa da igualdade de gênero, combate à homofobia e ao racismo têm sido feitos”, garante. Entre os ‘ensinamentos’ passados por Blanc em vídeos na internet, estão técnicas de conquista que incluem beijar mulheres à força e ignorar quando dizem não às investidas sexuais. Segundo o instrutor, o objetivo seria “ativar a prostituta que existe dentro delas”. "É ofensivo, inapropriado, emocionalmente assustador, mas efetivo", ironizou em seu site. Procurada pela reportagem, a assessoria do Itamaraty não comentou o caso, mas a previsão é de que saia um comunicado oficial nos próximos dias. Nesta quinta-feira (13), o vereador Renato Cinco (PSOL) apresentou na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro um projeto de decreto legislativo para considerar Blanc como "persona non grata" na cidade. Para cinco, essa seria uma forma da Casa se manifestar politicamente contra o machismo propagado pelo estrangeiro. A Secretaria de Políticas para as Mulheres divulgou ainda ontem uma nota repudiando a realização desse tipo de palestras no Brasil. Confira abaixo. A Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) reafirma a sua posição em favor da liberdade de expressão, mas, em relação a esse senhor e a seus cursos, junta-se às mulheres e diz claramente: é radicalmente contra qualquer tipo de violência contra as mulheres e pela defesa dos direitos delas. A SPM repudia qualquer estratégia e instrumento que incentivem a violência contra as mulheres, incluindo os estupros. Ainda mais neste momento, em que o Anuário Brasileiro de Segurança Pública acaba de estimar que mais de 143 mil mulheres teriam sido estupradas em 2013 no Brasil - com base nas 50.320 notificações. Essa projeção indica que se teria um estupro a cada 10 minutos no país. A SPM é contra, portanto, quaisquer cursos, investimentos e outras atividades que promovam essas atitudes. As quais, inclusive, levaram esse senhor a ser expulso da Austrália. A SPM informa ainda que solicitou providências cabíveis ao Exmo Sr. José Eduardo Cardoso, Ministro de Estado da Justiça. Foto de capa: Reprodução / YouTube