Discurso de ódio: bolsonaristas atacam gravidez de Sâmia Bomfim com legalização do aborto

Deputada não deixa ataque passar em branco e responde: defendo que todas as mulheres tenham direito a escolher, como eu tive

Bastou a deputada federal Sâmia Bomfm (PSOL-SP) anunciar, neste domingo (27), que está grávida de seu companheiro, o também deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), para ser alvo de ataques de discurso de ódio de bolsonaristas. Para isso, usaram uma falsa “contradição”: ela ser a favor da descriminalização do aborto e anunciar sua gravidez.

Internautas fizeram esse comentário em suas redes, na postagem de Sâmia. Muitas dizendo que ela usou o termo “bebê, e não ‘amontoado de células’ como ela se refere ao filho dos outros’”.

O deputado estadual bolsonarista Gil Diniz (sem partido-SP), conhecido como Carteiro Reaça, foi além. Usou essa distorção de conceitos para uma publicação em suas redes sociais na manhã desta segunda-feira (28).

“’Bebê Bomfim Braga’ – Não o tratam como um aglomerado de células, já tem até sobrenome, provavelmente já escutaram o coração pulsar desse pequeno ser que cresce no útero materno. Mas, o casal ainda assim luta pelo direito de outras mães assassinarem seus filhos ainda no ventre”.

Sâmia não deixou o ataque passar em branco. Mesmo sendo baseado em um falso conceito, pois não há relação entre ser favorável à descriminalização do aborto e engravidar e ter um bebê. A deputada foi didática na resposta aos críticos.

“Mas você defende a legalização do aborto e vai ter um filho? Obviamente a maioria dos comentários com esse conteúdo não expressam uma dúvida legítima. É só discurso de ódio mesmo. Mas nosso papel é também tentar ser pedagógico. Então vamos lá”, começou ela, na resposta feita em uma sequência de publicações.

“Defender a legalização do aborto não significa querer que todas as mulheres abortem, que sejam obrigadas a não gestar e não parir, não é recriminar mulheres que optam pela maternidade, não é odiar crianças, não é estimular outras mulheres a não terem filhos. Mas o que é, então?”, continuou.

“Defender a legalização do aborto é querer que as mulheres possam ter direito a escolher, como eu tive. É ter o direito de seguir viva: as pobres e negras morrem, enquanto as brancas ricas conseguem escolher com segurança. É olhar os dados: 1 a cada 5 já abortaram no Brasil”, continuou.

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“É defender educação sexual, acesso a contraceptivos e planejamento reprodutivo. É saber que o Estado é laico. Que ter filhos demanda condições emocionais e materiais. Que a maternidade pode ser bela quando não é compulsória. Que o corpo é meu”, finalizou.

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.