Fórumcast, o podcast da Fórum
23 de outubro de 2013, 12h43

Documentário “Verdade 12.528” mantém viva memória da ditadura

Filme resgata as violações dos direitos humanos investigadas pela Comissão Nacional da Verdade, ainda impunes e até hoje presentes no Brasil

Filme resgata as violações dos direitos humanos investigadas pela Comissão Nacional da Verdade, ainda impunes e até hoje presentes no Brasil

Da Redação

Quase 50 anos depois do golpe militar que instaurou uma ditadura no País (1964-1985), foi criada, em 2012, a Comissão Nacional da Verdade. A lei que a criou (12.528/2011) dá nome ao documentário “Verdade 12.528”, lançado na 37ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Dirigido por Paula Sachetta e Peu Robles, o filme busca manter viva na memória uma das fases do Brasil que até hoje não é uma página virada. “Afinal, que crimes daquele período ainda estão sem averiguação e continuam impunes? Quantos foram mortos, como foram mortos, quem os assassinou? Onde estão os corpos de pais, irmãos, irmãs, filhos e filhas de centenas de cidadãos brasileiros? Até onde chegará o trabalho da Comissão da Verdade e o que a população espera dela?”

Regina e Dona Ottília Berbert, irmã e mãe de Ruy Carlos Vieira Berbert, no quadro ao fundo, desaparecido desde 1972. Ruy Carlos era militante do Molipo, foi preso em Natividade à época Goiás, hoje Tocantins e três dias depois apareceu enforcado em sua cela. A versão oficial: suicídio. Como muitos presos da época, foi brutalmente assassinado. Até hoje o corpo não foi entregue à família. (Foto: Peu Robles)

A Comissão Nacional da Verdade foi criada com o objetivo de apurar as violações de direitos humanos praticadas por agentes públicos entre 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988. Formada por sete membros, 14 assessores e ampla equipe de pesquisadores, a comissão deve entregar seu relatório em maio de 2014. Embora vá apurar e investigar as violações do período, a não terá poder para julgar nem punir.

O documentário vem dar a sua contribuição ao resgate dessa verdade, que é um primeiro passo para resolvermos o nosso passado. Afinal ainda hoje é possível ver resquícios daquele período, já que jovens negros e pobres das periferias do País ainda sofrem as práticas repressivas do Estado. Um exemplo recente é o caso do Amarildo, torturado até a morte por policiais militares da UPP da Rocinha, segundo apontou o Ministério Público.

Dona Adalgisa é moradora da região do Araguaia. Em suas mãos a foto de Lucio Petit, o Beto, desapaecido em 1974. Por ter colaborado com o grupo da guerrilha, ela teve sua casa queimada, foi torturada, o marido, preso, e sua família, perseguida pelo Exército. (Foto: Peu Robles)

“Não nos importamos com os mortos e desaparecidos políticos? Hoje somem Amarildos. Não nos importamos com a tortura de presos políticos? Hoje jovens negros, pobres e da periferia são torturados, todos os dias, da mesma forma. O que buscamos mostrar no filme é exatamente isso: que a impunidade do passado dá carta branca à impunidade do presente”, disse Paula Sachetta ao blog do Sakamoto. Sem revanchismo, nem saudosismo, o documentário construir uma memória hoje anestesiada na sociedade brasileira.

O documentário traz depoimentos de pessoas que sofreram com a repressão ou foram afetadas por ela. Foram entrevistadas mais de 40 pessoas em São Paulo, Jales e Araguaia, como Amélia Teles, Clarice Herzog, Franklin Martins, Marcelo Rubens Paiva, entre outros. O filme começou a ser rodado em 2012 e contou com financiamento coletivo, via Catarse, onde foram arrecadados R$ 18.350 em 45 dias.

Serviço
Verdade 12.528
Direção e produção: Paula Sacchetta e Peu Robles
Montagem e finalização: André Dib
Música original: André Balboni

Som direto: André Mascarenhas
Cor: Pedro Moscalcoff
Efeitos: Alison Zago
Mixagem: Gui Jesus Toledo
Produtora de áudio: Estúdio CANOA

Realização: João e Maria.doc
Cor, 55 minutos

 


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum