Documentos ligam mansão da família Marinho a empresas no Panamá

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Escritório de advocacia contratado no país da América Central foi o mesmo usado por acusados na Operação Lava Jato Do Viomundo Diante da notícia da Rede Brasil Atual de que a empresa que tem em seu nome a mansão de praia dos irmãos Marinho em Paraty — a Agropecuaria Veine Patrimonial — tem ligação com empresa sob investigação na Operação Lava Jato, submetemos o assunto a um investigador com vasta experiência no rastreamento de empresas — no Brasil e no Exterior. Ele, TC, fez um relatório inicial sublinhando que a menção a nomes não implica envolvimento em qualquer tipo de irregularidade. De acordo com nosso investigador, a mansão dos Marinho está em nome de uma empresa que tem como sócia a Vaincre LLC, que por sua vez é controlada pela Camille Services, que por sua vez representa a Mossack Fonseca & Co., investigada na Operação Lava Jato. A licença da Vaincre nos Estados Unidos “expirou” duas semanas depois de deflagrada a Operação Lava Jato. Leia a íntegra do relatório: A Agropecuária Veine Patrimonial Ltda foi criada em São Paulo em 12 de março de 2004 com o nome de MB Junior Patrimonial e Investimentos Imobiliários Ltda. Os sócios eram os advogados Miguel Bechara Junior e Caroline Silva Galvão de Alvarenga Casanova. O endereço oficial da empresa era Alameda Campinas, 1051, o mesmo do escritório de Bechara, especialista em Direito Tributário. Em 28 de abril de 2004, ou seja, 46 dias depois de criada, teve capital social alterado para R$ 10 mil e nome trocado para Agropecuária Veine Patrimonial Ltda. Os advogados saíram da sociedade e entraram a Blainville International Inc., com participação na sociedade de R$ 9.000,00 e Lucia Cortes Pinto, com participação de R$ 1.000,00. O contador Jorge Luiz Lamenza foi nomeado procurador da Blainville e administrador da empresa. A atividade econômica foi alterada para atividades de consultoria em gestão empresarial. Por fim, a sede foi transferida para o mesmo endereço de Lamenza, na Rua Dom Gerardo, 46 – 6º andar, Centro, no Rio de Janeiro. Algumas observações sobre este período: A Blainville Internacional Inc. é uma empresa com sede na Cidade do Panamá. Documentos da Junta Comercial do Panamá indicam que foi criada em 23 de março de 2004 (35 dias antes de entrar na sociedade da Veine). O agente que intermediou a abertura foi o escritório de advocacia do Panamá Icaza, Gonzales Ruiz & Aleman, especializado em private banking, ou seja, em administrar e esconder grandes fortunas. É o mesmo escritório usado por Paulo Roberto da Costa e outros envolvidos na Lava Jato para criar empresas off shore, segundo a Polícia Federal descobriu durante a operação. Este escritório de advocacia também aparece na constituição da Chibcha Investment Corporation, outra empresa sediada no Panamá e que tem os irmãos Marinho como sócios, de acordo com denúncia do blog O Cafezinho. O quadro societário da Blainville é formado pelo presidente Mario A. Diaz, pela vice-presidente Carolina T. De Carney e por Lilian de Muschett, que ocupa os cargos de tesoureira e subsecretária. O contador Jorge Luiz Lamenza é sócio de várias empresas no Rio de Janeiro, entre elas a Contar — Contadores e Consultores Associados. Lúcia, a sócia minoritária, declarou como endereço um apartamento na periferia da Zona Sul de São Paulo. Troca de Off Shore Depois que a empresa migrou para o Rio de Janeiro ocorreram novas e importantes mudanças. Os sócios atuais, que constam na pesquisa pública da Receita Federal, são Jorge Luiz Lamenza, o contador que era o procurador da Blainville; a empresa Vaincre LLC e Celso de Campos. O endereço declarado é rua Bulhões de Carvalho, 296, ap 601, um edifício residencial em Copacabana. O telefone que consta na Receita é o 21-2509-****. Este telefone aparece como sendo da empresa FSA Network Consultores Ltda, que fica no centro do Rio de Janeiro. A empresa Vaincre LLC, sócia da Agropecuaria que controla a mansão dos Marinho, tem sede em Las Vegas, no estado de Nevada, nos Estados Unidos. Registros oficiais mostram que a empresa foi criada em 10 de março de 2005, quase um ano depois da criação da Veine no Brasil. A empresa foi aberta pela MF Corporate Services, de Las Vegas, e é gerenciada pela Camille Services S/A, do Panamá. Os registros notariais do Panamá mostram que a Camille Services foi aberta em 26 de julho de 2001 por Ana Maria Escobar, representante da empresa Mossack Fonseca & Co. A Mossack é outra empresa especializada em esconder grandes fortunas, sendo considerada um dos maiores laranjais do mundo, uma mega fábrica de lavanderias de dinheiro. A Mossack entrou na mira da Polícia Federal na Operação Triplo X, fase da Lava Jato que investiga se um apartamento no Guarujá seria do ex-presidente Lula. Ele nega e diz ter tido apenas uma opção de compra no prédio. Lula admite que visitou o local com um dirigente da OAS, empresa que reformou o apartamento que teria sido pretendido pelo ex-presidente — um triplex. Executivos da Mossack no Brasil foram presos pela Polícia Federal. Foram apreendidas listas com clientes, agora investigados por abrir empresas no exterior para ocultar patrimônio. A PF também investiga apartamentos que foram registrados em nome da Mossack, localizados no mesmo prédio do Guarujá visitado pelo ex-presidente Lula. Voltando à mansão dos Marinho, ela é controlada pela Agropecuária Veine, que tem como sócia a Vaincre LLC, gerenciada pela panamenha Camille. A Camille aparece na Lava Jato como ligada à off shore panamenha Murray Holding, com sede também em Las Vegas, nos Estados Unidos. A Murray teria imóveis registrados no Brasil avaliados em R$ 5 milhões, entre eles apartamentos no prédio do Guarujá agora alvo da Lava Jato. Outras duas empresas investigadas na Lava Jato também são gerenciadas pela Camille: Avel Group LLC e Elany Trading LLC. Estas empresas apareceram na Operação Ararath, que investiga crimes financeiros no Mato Grosso. Elas são sócias da empresa Global Participações Empresariais, que tem como administrador Wesley Batista, presidente da JBS. A Vaincre agora consta como extinta nos registros de Nevada. Ou seja, a sócia majoritária da Agropecuaria Veine, dona da mansão dos Marinho em Paraty, está inativa desde 31 de março de 2014: 14 dias depois da deflagração da Operação Lava Jato e da prisão do doleiro Alberto Youssef.