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08 de fevereiro de 2012, 19h13

Dupla de espanhóis apresenta o primeiro “netbook” livre, solar e biodegradável

Pode vir a transformar-se no cavalo de Tróia dos netbooks. Dois madrilenos criaram o primeiro computador de software livre, alimentado a energia solar e totalmente biodegradável. Tudo isto a partir de 130 euros e disponível em várias cores. O computador é fabricado na China e o “software” é desenvolvido em Madrid. O iUnika Gyy estará à venda em finais do próximo mês de Junho e estará disponível em 15 mil pontos de venda em todo o mundo.

O aparelho, uma criação da empresa iUnika, tem um ecrã de oito polegadas (resolução de 800×480), pesa 700 gramas, tem rato táctil, processador Ingenic de arquitectura Mips de 400MHz, 128 MB de memória RAM (extensível a 512 MB), um disco duro de 1 GB (extensível até 64 GB com cartão SD), três portas USB, conectividade ADSL, Wi-Fi, CDMA e GPRS, 10/100 LAN Ethernet, corre no sistema operativo Linux e estará disponível em 12 idiomas. Foram criados quatro modelos: simples, solar, equipado com GSM (Sistema Global para Comunicações Móveis) e o modelo GSM solar. Todos os quatro modelos são biodegradáveis.

A “carcaça” do iUnika Gyy é feita com produtos totalmente naturais, como sejam a farinha de milho e a celulose, que se fundiram numa espécie de bioplástico, um material seguro até aos 85 graus centígrados.

Este portátil é uma criação de dois madrilenos – o empresário Ángel Blázquez e Pablo Machón, presidente da Fundação para o Conhecimento Livre –, que apresentaram ontem o seu invento no International LibreMeeting 2009, perto de Madrid, conta o “El País”.

Tudo começou há dois anos, quando Blázquez começou a fabricar um portátil pequeno, ecológico e barato. Quando conheceu Machón, no ano passado, fundaram em conjunto a iUnika. “Os nossos produtos são especiais, serão sempre biodegradáveis e nenhum funcionará com programas privados e pagos”, assegura Blázquez, citado pelo “El País”.

Dois dos portáteis (modelos solar e GSM solar) carregam-se com uma placa aplicada no dorso do computador. “Demoram entre cinco e sete horas a carregar. Fizemos muitos testes, mas nunca obtivemos o mesmo resultado. Depende do sol, do ângulo… A boa notícia é que se mantém. Ao contrário de um computador normal, alimenta-se enquanto o utilizador está a trabalhar, sem cabos”.

O cartão GSM, que permite a ligação à Internet, não faz parte do pacote básico do computador, tendo o cartão de memória que permite a conectividade que ser adquirido à parte, fazendo aumentar o custo do computador de 130 para 180 euros.

O portátil vem com “umas 30 aplicações de software pré-instaladas. Existe um armazém com milhares de programas que podem instalar-se livre e gratuitamente. A ideia é que cada um o personalize”, comenta Machón, citado pelo “El País”.

“A nossa margem de lucro é mínima. Queremos posicionar a marca”, diz Blázquez. Machón insiste: “As motivações ecológicas, de respeito pelo meio ambiente e pelo utilizador não servem se não criarmos um produto que se venda muito”. Blázquez recorda, por exemplo, o falhanço do projecto OLPC, de Nicholas Negroponte, que pretendia dar às crianças dos países pobres um computador por cem dólares. Mas de cem dólares passou para o dobro, 200, e a sua comercialização eternizou-se. Como evitar os mesmos erros? “Sendo mais ágeis, não quebrando alianças”, opina Blázquez, citado pelo diário espanhol. “O projecto OLPC comprometeu-se a usar software livre, mas em 2008 passou para o Windows. Essa traição deu-lhe uma publicidade negativa”.

Outra diferença entre o projecto OLPC e o novo iUnika Gyy é o público. Se o primeiro era destinado a crianças, o novo netbook tem um público mais abrangente e poderá ser comprado em todos os grandes retalhistas do mundo. “Esta apresentação que fazemos aqui é para dar um empurrão ao seu lançamento em Espanha, França e Portugal. Na Ásia é uma ‘bomba’ e também na Europa de Leste, sobretudo na Polónia, onde está a ser muito aguardado”, concluíram os criadores.

Com informações do Softwarelivre.org


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