terça-feira, 22 set 2020
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Em depoimento, Flávio Bolsonaro confirma reunião com Marinho, mas nega vazamento da PF

Em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) nesta segunda-feira (20), o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) confirmou a participação em uma reunião com o empresário Paulo Marinho e advogados. No entanto, o filho do presidente Jair Bolsonaro negou ter recebido informações sobre as investigações contra seu ex-assessor Fabrício Queiroz no encontro.

O MPF apura se integrantes da Polícia Federal avisaram Flávio sobre etapa da Operação Furna da Onça, em novembro de 2018, que apurava desvio de recursos na Assembleia Legislativa do Rio. Na época, ele era deputado estadual e, embora não estivesse entre os alvos diretos, as atividades de Queiroz em seu gabinete estavam no radar da operação.

A investigação do MPF sobre um possível vazamento de informações que levou à convocação de Flávio para depor é baseada em acusação do empresário Paulo Marinho. Marinho disse ter ouvido do próprio senador que ele teria recebido informações sobre a investigação de um delegado da PF.

Segundo o empresário, a conversa ocorreu em uma reunião na sua casa, no Rio, no final de 2018. Marinho é suplente de Flávio no Senado e cedeu sua residência para ser “quartel-general” da campanha de Bolsonaro para a Presidência.

De acordo com o procurador federal Eduardo Benones, que tomou o depoimento, o senador confirmou o encontro com Marinho mas negou ter tido acesso a informações privilegiadas.

“Nesse particular ele contradiz essa parte do [depoimento] do senhor Paulo Marinho”, disse o procurador.

A advogada de Flávio, Luciana Pires, que acompanhou o depoimento, confirmou a resposta do senador. “Ele não se lembra da data, porque tem um ano e meio. Mas se lembra que teve reunião na casa do Paulo Marinho, junto com o advogado dele, para procurar advogado para ele. Nessa época, já estava protagonizando a questão do Queiroz e queria advogado para se defender, a imprensa estava especulando várias coisas e precisava de advogado para se defender. Não era para vazamento de Furna da Onça, nem para Queiroz, nada nesse sentido”, disse Luciana Pires.

Flávio prestou depoimento em seu gabinete, no Senado. Por ser parlamentar, horários e local foram definidos por ele.

Entenda o caso

Apesar de Flávio Bolsonaro não ser alvo direto da Operação Furna da Onça, relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) incluídos na investigação apontavam movimentações atípicas nas contas de Fabrício Queiroz, que era assessor em seu antigo gabinete na Alerj. Flávio foi deputado estadual no Rio de 2003 a 2018.

Os relatórios acabaram sendo utilizados na investigação do Ministério Público do Rio sobre um esquema de corrupção no gabinete de Flávio. O chamado caso da “rachadinha” aponta que o parlamentar ficava com parte dos salários de seus funcionários. Segundo a investigação, os valores eram recolhidos e movimentados por Queiroz, operador financeiro do esquema.

Queiroz foi preso em no dia 18 de junho no âmbito deste caso e, após decisão do Superior Tribunal de Justiça, está em prisão domiciliar.

Ricardo Ribeiro
Ricardo Ribeiro
Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.