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26 de julho de 2018, 16h01

Em seis meses, 100 milhões de árvores foram derrubadas no Xingu

Avanço da agropecuária, garimpo ilegal, grilagem de terras e roubo de madeira provocaram o desmatamento de 70 mil hectares na Bacia do Xingu

O equivalente a 100 milhões de árvores foram desmatadas na Bacia do Xingu em apenas seis meses. A pressão por novas áreas para a expansão agropecuária, grilagem de terras, retirada ilegal de madeira e a expansão do garimpo provocaram a derrubada de 70 mil hectares de floresta no Pará e Mato Grosso. O ritmo do desmatamento não mostra sinais de diminuição: em junho, 24.541 hectares foram destruídos.

Do total desmatado no último mês, mais de 7 mil hectares correspondem ao montante de floresta derrubada dentro de áreas protegidas – Terras Indígenas e Unidades de Conservação. Mesmo com denúncias feitas pelos povos indígenas, ribeirinhos e seus parceiros, que cobram medidas efetivas de combate ao desmatamento, não houve diminuição das atividades ilegais nessas áreas. Os índices são assustadores e aumentam a cada mês”, alerta Juan Doblas, especialista em geoprocessamento do ISA.

A ação de grileiros e desmatadores voltou com força na Terra Indígena (TI) Ituna Itatá. Em junho foi registrado um aumento exorbitante na área desmatada em seu interior: de 3 hectares detectados em maio, o número pulou para 756 hectares. Após apenas 7 hectares desmatados em 2013, a região contabilizou assustadores 1.349 hectares de floresta derrubados entre agosto de 2016 e junho de 2017.

Em março, o ISA encaminhou a diversos órgãos governamentais um ofício denunciando o avanço da destruição da floresta, com a localização de todos os polígonos referentes ao desmatamento. Em abril, voltou a encaminhar uma denúncia, dessa vez referente a exploração de madeira no interior da TI. Após alguns meses de calmaria, em que duas ações do Ibama foram realizadas para coibir as atividades ilegais, o desmatamento parece ter voltado com força.

Esse território indígena localiza-se a menos de 70 quilômetros do principal canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, com aumento exponencial da destruição de florestas na região. “A chegada do empreendimento e o brutal aquecimento do mercado de terras na região provocou uma corrida especulativa. Nesse contexto, o desmatamento constitui uma reafirmação do controle sobre determinadas áreas, e tende a crescer com a ausência de ações de fiscalização”, afirma Doblas.

A área foi interditada em 2011 pela Funai para proteção dos grupos indígenas isolados, com o estabelecimento de restrição de ingresso e trânsito de terceiros na área. A Funai alega não ter capacidade operacional nem competência legal para atuar combativamente” e afirmou que tem trabalhado para firmar parcerias com outras instituições como Ibama e o Incra. A implantação de um plano de proteção à TIs é uma condicionante de Belo Monte, mas nunca foi efetivamente cumprida.

A Floresta Nacional de Altamira apresentou uma abertura de 800 hectares em junho, aumento de 1000% em relação ao mês anterior. A UC tem localização estratégica na porção paraense da Bacia do Xingu, protegendo os rios Iriri e Xingu dos vetores de pressão vindos da região de Novo Progresso. Na Floresta Estadual do Iriri foram detectados 57 km de estradas destinadas à extração e escoamento ilegal de madeira abertos nos últimos dois meses, além de mais de 100 hectares de floresta desmatados sem autorização.

Com informações do Instituto Socioambiental


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