Empresas que venderam chantilly e paçoca à Marinha não falam sobre o caso

Fornecedoras foram contatadas, mas disseram que responsáveis não se encontravam e que não poderiam localizá-los

As duas empresas que aparecem no site da Transparência como fornecedoras de chantilly e paçoca para a Marinha do Brasil, a preços muito acima dos praticados no mercado, foram procuradas pela reportagem da Fórum para se posicionar em relação aos fatos, mas disseram, em ambos os casos, que os responsáveis não se encontravam disponíveis para dar esclarecimentos.

Na Principado de Astúrias Louças Ltda., que aparece no documento disponibilizando uma lata de chantilly de 250g por R$ 533 ao Comando de Operações Navais, a atendente afirmou que a única pessoa que poderia falar do assunto estava viajando e que só retornaria na próxima semana, identificando-o como Alexandre Marques.

Já na CCS Valente, a informação dada à reportagem foi de que a responsável pela empresa não se encontrava e que também não havia autorização para identificá-la com o nome completo, limitando-se a dizer apenas que se trata de Cláudia Cristina.

Veja o caso aqui Após o escândalo de gastos de R$ 1,8 bi em compras de mercado realizadas pelo Executivo federal, que só em leite condensado pagou mais de R$ 15 milhões, novas informações sobre a gastança no governo Bolsonaro vieram à tona.

Dados do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União, mostram que o Comando de Operações Navais da Marinha do Brasil teria comprado uma lata de spray de chantilly de 250g por R$ 533 de uma empresa do Rio de Janeiro, em 2019.

Em outro caso, uma firma também sediada na capital fluminense vendeu 23.560 paçoquinhas de 20g, em embalagens individuais, por R$ 128.402,00, no mesmo ano, para a Diretoria de Abastecimento da Marinha. O preço do doce por unidade é de cinco a dez vezes maior que normal.

Avatar de Henrique Rodrigues

Henrique Rodrigues

Jornalista e professor de Literatura Brasileira.

Você pode estar junto nesta luta

Fórum é um dos meios de comunicação mais importantes da história da mídia alternativa brasileira e latino-americana. Fazemos jornalismo há 20 anos com compromisso social. Nascemos no Fórum Social Mundial de 2001. Somos parte da resistência contra o neoliberalismo. Você pode fazer parte desta história apoiando nosso jornalismo.

APOIAR