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22 de agosto de 2019, 16h42

Enquanto Bolsonaro culpa ONGs, Bolívia cria plano de contenção de queimadas na Amazônia

O operativo, que conta com cinco aviões tanque, pode ser estendido para o Paraguai após um compromisso firmado entre os dois países

Divulgação/Policia Boliviana

O governo da Bolívia iniciou nesta quinta-feira (22) um plano para combater os focos de incêndio que aparecem no lado boliviano da Amazônia na fronteira do país com o Brasil. Entre os equipamentos usados estão cinco aviões cisterna com capacidade de 150 mil litros de água cada. Um acordo com o Paraguai pode ampliar a atuação do combate às chamas promovido por Evo Morales para o país vizinho.

A Bolívia criou um gabinete de emergência ambiental comandado pelo vice-presidente, Álvaro García Linera, com o objetivo de mitigar os focos de incêndio que atingiram a região da Amazônia boliviana, na chamada Chiquitanía. Segundo fontes do governo, cerca de 500 mil hectares já foram atingidos pelo fogo que teria origem em queimas de lixo e se espalhou devido aos fortes ventos que foram registrados na região.

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O presidente Evo Morales definiu como prioridade número um o combate ao fogo, temendo que as chamas se espalhem ainda mais e devaste a mata. Para o operativo, iniciado nesta quinta-feira, foram contratados cinco aviões tanque e, segundo a rede TeleSUR, também estão atuando mais de 1500 militares, policiais e bomberos, além de voluntários, para oferecer água à população. Cerca de 25 médicos também foram levados à região.

Em declaração dada na quarta-feira, Linera afirmou que os ministros e todo o aparato do Estado se colocaram à disposição do gabinete e que, se for necessário, um reforço pode ser solicitado.

Compromisso com o Paraguai

O Paraguai, que também tem sofrido com fortes ventos espalhando focos de incêndio, está em diálogo com a Bolívia para uma atuação conjunta no combate às queimadas, segundo a rede TeleSUR. “Estamos em contato com nossos pares no Paraguaitemos um compromisso de trabalho conjunto dos dois países, tanto no território boliviano como no território paraguaio. Obviamente estamos em plena implementação das medidas acordadas”, disse o ministro do Meio Ambiento da Bolívia, Carlos Ortuño.

Bolsonaro culpa ONGs

Na manhã desta quinta-feira (22), na saída do Palácio da Alvorada, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou que fazendeiros “podem estar por trás” dos incêndios na Amazônia, mas a sua maior suspeita ainda recai sobre as organizações não-governamentais (ONGs).

O presidente já havia mencionado tal suspeita na quarta-feira (21) e voltou a defendê-la, pois as ONGs “perderam recursos que eram direcionados pelo governo”.

“Pode, pode ser fazendeiro, pode. Todo mundo é suspeito, mas a maior suspeita vem de ONGs”, declarou o presidente. Bolsonaro ainda ironizou: “São os índios, quer que eu culpe os índios? Vai escrever os índios amanhã? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que esse pessoal da ONG perdeu a teta deles. É simples”.


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