Enquanto Bolsonaro demora para pagar ajuda de R$ 600, Alemanha banca até R$ 90 mil para trabalhador autônomo

Brasileiro que vive em Berlim recebeu transferência do governo cinco horas depois da inscrição no programa de auxílio na pandemia de coronavírus

A Alemanha decidiu dispensar a sua rígida disciplina fiscal para conter os impactos da pandemia de coronavírus sobre a economia. O governo da chanceler Angela Merkel já colocam em funcionamento um dos maiores pacotes de auxílio da Europa e vai oferecer valores sem precedentes para empresas e trabalhadores. No total, já estão aprovados 750 bilhões de euros.

Especificamente os trabalhadores autônomos, freelancer e pequenas empresas podem solicitar até R$ 15 mil euros, o equivalente a R$ 90 mil, no câmbio de hoje, para que as pessoas possam sobreviver. A Alemanha adotou medidas severas de isolamento e interrupção de muitas atividades.

Enquanto no Brasil, o governo do presidente Jair Bolsonaro ainda patina para efetuar os pagamentos do auxílio de emergência de R$ 600, o governo alemão disponibilizou uma aplicação online para a solicitação em duas semanas.

O pagamento também é expresso. O DJ e produtor musical brasileiro Johnny da Cruz, que vive em Berlim, afirmou que recebeu um depósito do governo no valor de 5 mil euros apenas cinco horas depois de fazer o cadastro na aplicação.

“O fato é que em pouco mais de duas semanas, o governo alemão criou um sistema online para que todos os autônomos (incluindo artistas) pudessem solicitar auxílio para sobreviver sem trabalhar em meio a essa pandemia. Enviei meu formulário as 10:30 da manhã e 5 horas depois recebo essa notificação. Assim mesmo, pa-pum, o equivalente há 30 mil reais enviados pelo governo sem pestanejar para eu sobreviver por 3 meses”, disse Cruz, em sua página no Facebook, com uma foto da notificação da transferência bancária.

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A transferência de 5 mil euros é inicial, para a qual não será preciso prestar contas das despesas. O trabalhador ainda poderá receber mais 9 mil, para o qual tem que justificar gastos ou, eventualmente, devolver o que não puder comprovar como um gasto necessário dentro das regras de auxílio para o período da pandemia.

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Ricardo Ribeiro

Correspondente da Fórum na Europa. Jornalista e pesquisador, é mestre em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra e doutorando em Política na Universidade de Edinburgh. Trabalhou na Folha de S.Paulo, Agora e UOL, entre 2008 e 2017, como repórter e editor.

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