Entenda a diferença entre as vacinas Coronavac, AstraZeneca, Pfizer, Moderna e Sputnik

Doses já estão sendo aplicadas em diversos países em caráter emergencial e usam diferentes tecnologias para levar o corpo a produzir defesa contra o novo coronavírus

A corrida mundial por uma vacina contra o Sars-CoV-2, o novo coronavírus, começou logo que se constatou a gravidade do surto, depois epidemia, depois pandemia da Covid-19 no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente há mais de 150 imunizantes em desenvolvimento no planeta. E eles usam variadas formas de ação para prevenir a pessoa da doença.

No Brasil, alguns laboratórios estão em contato com o Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testar suas doses em voluntários ou mesmo submeter os produtos a uma aprovação. Cinco deles já estão em uso emergencial em alguns países do mundo e com contato aqui no país. Entenda como cada uma delas funciona abaixo.

Virus inativado

EEsse tipo de dose usa vírus inativado em sua composição. Ele é “morto” por calor ou outro processo, que o torna incapaz de provocar a moléstia que ele normalmente leva o organismo a desenvolver.

Assim, o organismo de quem é vacinado com ela não vai desenvolver a doença porque o germe está inativado. Porém, seu sistema de defesa vai passar a produzir anticorpos, que evitam que o vírus infecte novas células, e a resposta celular a ele, os linfócitos. Assim, se a pessoa for de fato infectada, seu organismo já saberá como combater o Sars-CoV-2.

A Coronavac,  dose contra Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, usa essa tecnologia. No Brasil, ela teve estudos em voluntários coordenados pelo Instituto Butantan. Os resultados desses estudos mostraram, segundo Dimas Covas, presidente do órgão, 100% de eficácia em evitar casos graves e moderados da doença e 78% para barrar casos leves.

Adenovírus

As vacinas do tipo adenovírus usam em sua composição um vírus que normalmente infecta o ser humano, exatamente o adenovírus, que causa o resfriado comum. Em laboratório, os pesquisadores introduzem nele um pedaço do material genético do novo coronavírus. Assim como no caso da dose com vírus inativado, quem é imunizado com esse tipo de produto passa a produzir anticorpos e respostas celulares.

Essa é a tecnologia usada em duas das vacinas que podem brevemente ser aplicadas no Brasil: a desenvolvida em parceria entre a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford, que deve ser fabricada no país pela Fiocruz, e a Sputnik V, desenvolvida pelo Instituto Gamaleya, da Rússia. Essa última deve começar a ser testada no país em conjunto com a farmacêutica União Química, que pretende fabricá-la por aqui.

RNA Mensageiro

O chamado RNA mensageiro é considerado uma tecnologia mais moderna para vacinas. Por meio dela, material genético do vírus que se quer combater – no caso, o Sars-Cov-2 – é introduzido em uma espécie de gota de gordura, chamada de lipossomo. Ela funciona como um envelope, que entra no organismo. A partir daí, o material entra na célula humana, produzindo anticorpos e respostas celulares.

Duas vacinas que já estão sendo aplicadas no mundo usam essa ferramenta: a da Pfizer BioNTech e a da Moderna.

Tutorial em vídeo

Um vídeo caseiro gravado pelo diretor de pesquisa do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo, Luiz Fernando Lima Reis, viralizou nas redes sociais. Nele, o pesquisador explica, de forma didática, como o novo coronavírus age no organismo e como as diferentes vacinas o combatem. Veja abaixo.

Avatar de Fabíola Salani

Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.