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10 de agosto de 2007, 13h42

Entidade cristã quer processar peça com temática gay

Liga Mundial cristã classifica sede do grupo Satyros, em São Paulo, como "espaço de homossexuais", e promete medidas judiciais contra peça que retrata a gravidez de um padre

Liga Mundial cristã classifica sede do grupo Satyros, em São Paulo, como “espaço de homossexuais”, e promete medidas judiciais contra peça que retrata a gravidez de um padre

Por Redação 

A Liga Cristã Mundial (LCM) anunciou em sua página na internet que pretende processar os responsáveis pelo espetáculo teatral “O Santo Parto”, em cartaz no espaço Satyros, em São Paulo. O motivo seria o fato de a peça contar a história de um padre que engravida e passa a viver relações homossexuais.

Segundo a LCM, o espaço teatral Satyros seria um “espaço de homossexuais”, onde é encenada “uma peça ridicularizando as crenças da Igreja Católica”.

“Eu acho que essa reação é bem a cara deles”, responde Barbara Bruno, diretora da peça, no site do Satyros. “Na verdade, o que a gente procura sempre em todo os sentidos é a liberdade. A liberdade de opinião, de expressão e acho que a recíproca não é verdadeira”, avalia

Para a diretora, a entidade tem o direito de reagir, mas criticou a forma utilizada nessa manifestação. “Oficialmente não recebemos nada ainda e, evidente, que se recebermos alguma intimação vamos revidar a altura, mesmo porque isso mostra uma extrema desinformação. Eles querem processar os atores, mas eles são os que menos tem a ver com o caso. O que há é uma falta de informação”.

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A LCM, também promete processar “dois homossexuais, que se vestiram como Papa Bento XVI e Bispo” com Cálice na mão, e distribuíam camisinhas, durante a Parada Gay de 2007, na Av. Paulista.

A entidade A Liga mantém, em sua página, uma rádio e um acervo de vídeos, além de uma sala de bate-papo. A entidade segue o rito greco-melquita, obediente ao Vaticano. De origem libanesa, o movimento no brasil traz como uma de suas atribuições adotar medidas jurídicas extrajudiciais e judiciais contra meios de comunicação ou pessoas que “vilipendiarem publicamente ato ou objeto de culto religioso” ou que “contrariam a moralidade pública e bons costumes” ou “não condizem com a verdade”.

A peça está em cartaz no espaço Satyros (Praça Roosevelt, 214, centro, telefone 11- 3258-6345, até 27 de outubro), de sexta a domingo, às 0h.


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