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10 de dezembro de 2016, 15h42

Entre vaias e carta de repúdio, Moro diz na Alemanha que foto com Aécio foi “Infeliz”

Juiz de Curitiba reafirmou ainda a gravação e divulgação de conversa entre Lula e Dilma, considerada ilegal pelo STF. Várias pessoas na plateia protestaram e um grupo de juristas enviou carta de repúdio.

Juiz de Curitiba reafirmou ainda a gravação e divulgação de conversa entre Lula e Dilma, considerada ilegal pelo STF. Várias pessoas na plateia protestaram e um grupo de juristas enviou carta de repúdio.

Da Redação com informações do Tijolaço e da DW

Num clima instável, onde não faltaram protestos e vaias, o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, afirmou em palestra em Heidelberg nesta sexta-feira (09/12), que a imagem em que aparece ao lado de Aécio trocando sorriso e afagos foi “uma foto infeliz”.

Moro afirmou na ocasião que o Aécio não é alvo Lava Jato. A resposta óbvia à contradição do juiz foi dada por ele mesmo ao evitar comentar a notícia de que a Odebrecht teria pago caixa 2 ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014: “casos envolvendo políticos são encaminhados ao Supremo”. Aécio é senador e seu caso não está na alçada de Moro, o que não o impede de manter o decoro e a distância devida.

Grampos ilegais

Mesmo depois da decisão do STF de que as gravações e a divulgação de uma conversa telefônica entre Lula e Dilma foram ilegais – o ato de grampear a Presidente da República – o juiz de Curitiba afirmou que as pessoas têm o direito de saber o que seus governantes fazem.

“É estranho que numa democracia as pessoas reclamem de uma revelação como essa. Desde o início das investigações decidimos que não iríamos esconder nenhuma informação do público”, declarou ao ressaltar que a atitude “não foi uma exceção à regra”.

Moro disse ainda que as investigações sobre desvios de recursos da Petrobras são imparciais e não sofrem influência de interesses políticos.

Vaias e carta de repúdio

Na plateia, várias pessoas levantaram faixas e cartazes com dizeres: “Moro na cadeia” e “parcialidade fere a democracia”. Além dos inúmeros protestos, um grupo de cerca de 30 juristas e acadêmicos enviou carta à Universidade de Heidelberg argumentando que Moro não tem credibilidade para discursar sobre combate à corrupção no Brasil, por ser “parcial” em favor de partidos como PSDB e PMDB. O texto diz: “O juiz federal Sérgio Moro incorreu em posturas as quais foram determinantes para o clima político de derrubada de um governo legítimo servindo, desta forma, aos piores interesses antidemocráticos”.


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