Erika Hilton se torna a primeira mulher negra e travesti eleita na cidade de São Paulo

Em Belo Horizonte, Duda Salabert, trans e militante vegana e da educação, foi a vereadora mais votada da cidade

As eleições 2020 ainda não terminaram, porém, o resultado para o legislativo já pode ser considerado histórico para o movimento LGBT, em especial para as travestis e transexuais. A cidade de São Paulo elegeu a primeira mulher negra e travesti, Erika Hilton. Em Belo Horizonte, tivemos a eleição de Duda Salabert, trans e militante da educação, foi a mais votada da cidade.

A primeira mulher negra e travestis eleita na cidade de São Paulo

A candidata pelo PSOL à Câmara Municipal da São Paulo, Erika Hilton, fez história na noite de ontem ao se tornar a primeira mulher negra e travesti a se eleger na capital paulista. Hilton foi a sexta vereadora mais votadas com 50.477 votos.

Erika Hilton ganhou notoriedade em 2018, quando foi eleita co-deputada à Assembleia Legislativa do estado de São Paulo pela Bancada Ativista (PSOL). Desde então, a sua atuação no movimento LGBT e na luta antirracista se tornou referência em São Paulo.

No seu discurso de vitória, postado ontem (15) a noite nas redes sociais, Hilton afirmou que, para chegar aonde chegou, muitas outras travestis morreram e que, a sua geração está “viva, raivosa e sedenta de justiça”.

Confira o discurso abaixo.

Duda Salabert: professora e mulher trans se torna a vereadora mais votada da história de Belo Horizonte

Quem também deixou a sua marca na história, mas no estado de Minas Gerais, foi a candidata à Câmara Municipal de Belo Horizonte, Duda Salabert (PDT). Trans e professora de literatura há mais de 20 anos, Salabert foi a vereadora mais votada da cidade de Belo Horizonte com 37.613 votos. Com isso, Duda Salabert se torna a primeira mulher trans eleita na capital mineira.

Nas redes, Salabert destacou o fato de que “a pessoas mais votada da história de Belo Horizonte é uma travesti”. A vereadora eleita também ressaltou que a sua campanha não utilizou papel.

Florianópolis elege a primeira mulher lésbica

A capital de Santa Catarina, Florianópolis, elegeu a sua primeira vereadora lésbica. Trata-se de Carla Ayres (PT), militante do movimento LGBT, da educação e da cultura, se elegeu com 2.094 votos e se tornou a primeira mulher lésbica eleita na cidade de Florianópolis.

Carla Ayres, em vídeo postado nas redes, agradece aos votos e diz que é a vez de um mandato popular e feminista em Florianópolis. Confira o vídeo abaixo.

Brasil elege 13 candidaturas trans ao redor do Brasil

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) soltou um balanço de candidaturas trans eleitas ao redro do Brasil. No total foram 13 vereadoras travestis e transexuais eleitas, esse número inclui Erika Hilton e Duda Salabert. Abaixo você confere a lista organizada pela Antra:

Carolina Iara, do PSOL, em São Paulo; Thammy Miranda, do PL, em São Paulo; Linda Brasil, do PSOL, em Aracaju; Gilvan Masferrer, do DC, em Uberlândia (MG); Benny Briolly, do PSOL, em Niterói (RJ); Filipa Brunelli, do PT, em Araraquara (SP); Isabelly Carvalho, do PT, em Limeira (SP); Kará, do PDT, em Natividade (RJ); Thabatta Pimenta, do PROS, em Carnaúba do Dantas (RN); Lins Robalo, do PT, em São Borja (RS); e Regininha, do PT, em Rio Grande (RS).

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).