Seja #sóciofórum. Clique aqui e saiba como
08 de fevereiro de 2012, 19h13

Especulação imobiliária pressiona por “higienização” do centro de São Paulo

O processo de revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo tem inquietado também movimentos populares de moradia, que temem um acelerado avanço dos despejos no centro da capital paulista.

A preocupação se baseia nas possíveis mudanças em relação às Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis), que são espaços destinados à construção de imóveis populares para famílias de baixa renda.

De acordo com a revisão proposta pelo Executivo, algumas áreas deixariam de fazer parte das Zeis, especialmente na região central da cidade.

Para o integrante do Movimento de Moradia do Centro (MMC) Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, a medida prejudicará a luta dos trabalhadores que reivindicam habitação.

"Eles [Prefeitura] querem, de uma vez por todas, acabar com algumas possíveis vantagens que a gente poderia ter. Para poder não implementar, eles vão tirar algumas áreas”, garante.

São Vito
O caso do prédio do São Vito, para Gegê, é um exemplo disso. Junto com o edifício Mercúrio, também localizado no Parque Dom Pedro, o São Vito deve ser demolido para dar lugar a uma praça em frente ao Mercado Municipal e a um estacionamento subterrâneo.

A área, no entanto, faz parte de uma Zeis, o que impede, de acordo com o Plano Diretor vigente, que seja usada para fins que não sejam de caráter social.

Gegê, por isso, acredita que a intenção da Prefeitura, com a revisão do Plano, é regularizar a utilização destes espaços para outras finalidades.

"Quando eles falam de revisão o que eles querem: é que essa área deixe de ser Zona de Interesse Especial e passe a ser qualquer outra coisa”, afirma.

Interesses

O militante lamenta que o Plano Diretor do município esteja tomando rumos distintos do que as organizações desejavam quando ajudaram a elaborá-lo.

“É uma lástima porque, depois de São Paulo estar 20 e tantos anos sem Plano Diretor, tínhamos esse Plano, que é bem avançado. Se nós tivéssemos condição de implementar, o município de São Paulo ganharia muito”, avalia.

A responsabilidade pela não implementação e mudança do Plano, na avaliação de Gegê, é a da Prefeitura de São Paulo e o do governo do Estado, aos quais acusa de estarem atrelados a interesses privados.

“Os dois governos, do José Serra e do Gilberto Kassab, têm todo o interesse em fazer essa revisão ao modo deles”, explica Gegê, que vai além com as críticas: “São governos descompromissados, com compromisso só com a especulação imobiliária, que querem urgentemente mexer nisso aí”, salienta.

Higienização
Com a perda das Zeis, assegura Gegê, deve se intensificar a chamada política de “higienização” do centro de São Paulo, que consiste na expulsão da população que reside ou trabalha na região em direção às periferias.

A higienização, segundo o integrante do Movimento de Moradia do Centro, começou no final do governo de Paulo Maluf, na década de 1990, com a retirada de meninos e meninas que viviam em situação de rua.

Foi no início da gestão de Gilberto Kassab, no entanto, que a política foi retomada com força, tendo agora, como alvo, todos os moradores de rua, além de vendedores ambulantes, prostitutas e carroceiros.

”Você passa hoje e vê um grupo de rua acampado em um canto, no outro dia você passa e esse povo não está mais. Aí você pergunta, onde foi parar esse povo? Foi levado para as periferias das periferias, nos albergues que não são albergues. É uma forma de tirar o pessoal para deixar o centro bonito”, denuncia o militante.

Copa do Mundo
Gegê também aposta que, com a aproximação do mega evento esportivo no Brasil em 2014, deve se intensificar o processo de “limpeza” no centro de São Paulo.

A pressa da Prefeitura em alavancar o projeto “Nova Luz”, a fim de revitalizar o bairro da Luz e acabar com a área próxima conhecida como “Cracolândia,” constitui um exemplo, para o militante, da preocupação do poder público com a imagem da cidade para a competição.

“Para mim a questão da revisão do Plano Diretor está junto com a Copa 2014. Porque aí eles convencem algumas pessoas de que a cidade não pode ter característica de cidade suja e faz essa limpeza, essa higienização”, argumenta.

Ele recorda, ainda, que capitais como Rio de Janeiro, Recife e Belo Horizonte têm realizado ações semelhantes, mostrando que a higienização deve se estender a todas as cidades candidatas a sede dos jogos.

“Esses governadores e prefeitos precisam mostrar a cidade sem esse povo. E a única forma é fazendo o que eles estão fazendo. Querem mostrar que São Paulo e as cidades que vão receber a Copa são cidades limpas, bonitas”, finaliza.

Com informações da Agência Brasil de Fato.


Quantas matérias por dia você lê da Fórum?

Você já pensou nisso? Em quantas vezes por dia você lê conteúdos esclarecedores, sérios, comprometidos com os interesses do povo e a soberania do Brasil e que têm a assinatura da Fórum? Pois então, que tal fazer parte do grupo que apoia este projeto? Que tal contribuir pra que ele fique cada vez maior. Bora lá. Apoie já.

Apoie a Fórum

#tags