"Os únicos grupos que ele tinha no WhatsApp eram de aula de árabe”, diz esposa de acusado de terrorismo

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O paulista Vitor Magalhães foi preso na manhã desta quinta-feira, acusado de envolvimento com supostos atentados terroristas na Olimpíada Por Beatriz Sanz O jovem Vitor Barbosa Magalhães, conhecido das redes como Vitor Abdullah, de 23 anos, foi preso na manhã desta quinta-feira, (21), pela PF, acusado de envolvimento com atentados terroristas que estariam marcados para acontecer durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Vitor, que trabalha na funilaria de seu pai para sustentar os dois filhos, se converteu ao islamismo em 2010. Em 2012, ele foi convidado a ir para o Egito para estudar a língua árabe e a religião. Lá passou seis meses e retornou para a cidade de Guarulhos, onde mora com a esposa e dois filhos. A esposa de Vitor, Larissa Rodrigues, 24 anos, afirma que eles foram acordados na manhã desta quinta-feira por cinco oficiais da Polícia Federal que possuíam mandados de busca e apreensão e mandados de prisão. “Os mandados foram expedidos no endereço dos meus sogros, mas o Vitor disse que não tinha nada a esconder e que os policiais podiam olhar a casa”, afirmou a esposa. Ela diz ainda que Vitor não possuía telegram. “Os únicos grupos que ele tinha no WhatsApp sobre o islã, eram os de árabe, porque ele dá aula pelo youtube e responde as dúvidas por mensagem”, conta Larissa. Em uma entrevista coletiva na manhã desta quinta-feira para comunicar a prisão de dez suspeitos, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, afirmou que eles estavam planejando a compra de armas de grosso calibre para futuros ataques. Segundo a esposa, as únicas armas que Vitor tinha em casa era arco-e-flecha, porque ele pratica o esporte. Revista Veja No início da semana, Vitor foi avisado por alguns amigos que sua foto estava na matéria da Revista Veja, que fala sobre atentados terroristas no Brasil. “O amigo dele ainda brincou, dizendo que ele estava famoso”, lembra a esposa. veja_vitor Na foto que ilustra a reportagem, Vitor segura o "estandarte negro". Atualmente, a bandeira que possui os dizeres “não há deus a não ser Deus e Maomé é o profeta de Deus”, está vinculada ao Estado Islâmico e outros grupos fundamentalistas religiosos. A legenda da foto diz que 32 brasileiros já juraram lealdade ao Estado Islâmico. A esposa de Vitor afirma que ele não faz parte desse grupo. Segundo Larissa, a foto foi tirada durante a viagem de Vitor ao Egito e nem mesmo o jovem teria a imagem. “Assim que surgiram as primeiras relações da bandeira com o Estado Islâmico, ele apagou as fotos, inclusive do computador, mas deve ter ficado alguma no Facebook de algum companheiro de viagem dele”. A esposa fala ainda que, no primeiro momento, Vitor nem deu valor à publicação, mas depois, por orientação de amigos, decidiu procurar um advogado. “O advogado falou que não adiantaria processar, mas disse também pra ele fazer um boletim de ocorrência. Ele ia fazer o boletim essa semana, mas não deu tempo”, lamenta. Vitor teve a prisão temporária decretada com base na lei Antiterrorismo, sancionada em maio pela presidenta Dilma. Foto de Capa: Reprodução/ Facebook