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14 de agosto de 2019, 19h48

Esquerda reage à fala de Bolsonaro contra opositores: estimula ódio e perseguição a oposicionistas

Parlamentares afirmam que tomarão as medidas jurídicas cabíveis junto ao STF/PGR para que Bolsonaro explique sua fala

Bolsonaro durante evento no Rio de Janeiro. Foto: Presidência da República/Divulgação

Menos de um mês depois inflamar os ânimos ao chamar os governadores nordestinos de ‘paraíbas’, a terceira ida de Jair Bolsonaro à região não passou sem insultos a parlamentares. Em visita à cidade de Parnaíba (PI) para inaugurar uma escola que levará seu nome, o presidente prometeu varrer a “cambada do Brasil”, usando a palavra “cocô” para referir-se aos opositores, e despertou mais reações por todo o país.

“Na escalada de bestialidades diárias, o presidente Jair Bolsonaro ameaça os ‘comunistas’, fazendo referência aos comunistas, petistas, socialistas, pedetista, enfim a todos que atuam no campo progressista. Para suas hordas, lança palavras com objetivo de estimular o ódio, a intolerância, violência e perseguição aos oposicionistas”, comentou o vice-líder do PCdoB, deputado federal Márcio Jerry (MA).

Presidente do PSOL, Juliano Medeiros afirmou que tomará as medidas jurídicas cabíveis para que o chefe de estado explique sua fala.

“Já pedi ao departamento jurídico do PSOL que prepare uma interpelação a Jair Bolsonaro. Ele terá de explicar ao STF como pretende “acabar com os comunistas” e que medidas estão sendo tomadas para “mandar essa cambada [a esquerda] pra Venezuela”. Aguardo ansioso a resposta”, afirmou.

Também representante do PSOL, o deputado federal Ivan Valente (SP) apontou a aproximação do chefe de estado à ultradireita. “Ao defender “acabar com os comunistas” Bolsonaro adere à mesma fórmula usada pelas ditaduras latino-americanas, pelo nazismo, pelo macarthismo e por outros projetos de extrema-direita q tinham como propósito a eliminação física ou política de seus oponentes”, disse.

Em meio à votação do Projeto de Lei 7596/17, que define os crimes de abuso de autoridade, a líder da minoria na Câmara dos Deputados, deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), usou o Plenário da Câmara para criticar a falta de postura de Bolsonaro. “A boca deste presidente mais parece uma cloaca, porque de lá não sai nada que seja absolutamente saudável ou absolutamente digno, rompendo de novo o decoro do cargo”, apontou.

Othelino Neto, atual presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, estado que tem sido o principal alvo de Bolsonaro, também usou o Twitter para comentar as novas declarações. “Lamentável o presidente Bolsonaro chamar as correntes políticas que lhe fazem oposição de bandidos e autoritários. Quando comete esse palavreado chulo, parece estar olhando com frequência para o espelho”, escreveu.

Em tom irônico, o líder da Bancada do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (RS), também enviou seu recado. “O miliciano que ocupa o Planalto viajou para Parnaíba para celebrar o ANIVERSÁRIO da cidade. Clima de festa, de alegria. Passam o microfone e o que ele faz? Começa a xingar quem não pensa (sic) como ele. Até povos de outros países ele ofende, do nada. Como é que chama isso?”, questionou.


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