Estudo da Fiocruz identifica presença do coronavírus em 90% dos pontos de coleta do esgoto de Niterói

Apesar da alta incidência do vírus encontrada pela entidade, a cidade tem apresentado queda no número de infecções e mortes por Covid-19

Desde abril do ano passado a Fiocruz coleta amostras da rede de esgoto de Niterói (RJ) para realizar testes e monitorar o coronavírus. No último levantamento, feito em janeiro, a fundação revelou que o vírus foi encontrado em 80% a 90% dos pontos pesquisados.

Apesar da alta incidência do coronavírus nos pontos pesquisados, a taxa de ocupação e registro de mortes por Covid-19 tem caído em Niterói.

De acordo com dados divulgados pela fundação, na última semana de 2020, 100% das amostras testaram positivo e a carga viral média foi a segunda maior registrada desde o início do levantamento.

Marize Pereira Miagostovich, que coordena a pesquisa, declarou ao G1 que a alta carga viral no esgoto em contraponto com os poucos casos no município indica uma necessidade de medidas a serem tomadas.

“A presença do vírus nas amostras aponta que ele está circulando na população. Mas a vigilância do esgoto deve ser sempre considerada como um indicador complementar, junto com outros dados relacionados à doença”, disse Miagostovich.

Os dados da pesquisa revelam que, em abril, primeiro de monitoramento e início da pandemia, apenas 42% das amostras foram positivas. De maio a junho, quando ocorreu o primeiro pico do vírus, a taxa de positividade ficou acima de 90%. Em julho, o índice caiu e chegou a 50% no começo de agosto.

Porém, com o relaxamento das medidas de restrição, o índice voltou a subir e o vírus foi detectado em 75% das amostras. Já em novembro, a pesquisa voltou a detectar a presença do coronavírus entre 90% e 100% das amostras.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).