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19 de agosto de 2019, 16h41

Estudo mostra que golpe reduziu investimentos na Petrobras e deixou 33 mil desempregados em Campos

Gráficos do Dieese mostram queda de 28% na produção média entre 2015 e 2018; houve ainda a demissão de 33 mil funcionários no mesmo período

Plataforma no campo de Papa-Terra, localizado no extremo sul da Bacia de Campos. (Foto: Divulgação/Petrobras)

Análises sobre a produção de petróleo e oferta de empregos na Bacia de Campos, importante reserva situada na costa norte do Rio de Janeiro, mostram que a Bacia foi diretamente impactada pelo contexto político do golpe de 2016 e dos desdobramentos da Lava Jato. Gráficos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostram queda significativa na produção média, passando de 1,8 milhões boe/dia em 2015 para 1,3 milhões boe/dia em 2018, em redução de 28%. Houve também a demissão de 33 mil funcionários no mesmo período.

Ainda segundo as estimativas do Dieese, os investimentos da Petrobras de 2013 a 2018 reduziram 55% no Pré-Sal, 62% na Bacia de Campos e 64% na área do Pós-Sal total do Brasil.

“Para entender declínio da produção da Bacia de Campos, não se deve apenas creditar a fatores naturais, mas principalmente a falta de investimento das últimas gestões nos campos maduros de petróleo. Estes campos são operados pela Petrobrás e sua média de investimentos em 2016 e 2017 foram 60% menores do que a média dos investimentos de 2010 a 2015. Não é à toa que a produção destes campos cai a partir de 2016”, informa o documento.

Os royalties e participações especiais na região do Norte Fluminense, onde está localizada a Bacia de Campos, também tiveram uma queda brusca a partir de 2015, a qual o documento explica por dois fatores. O primeiro deles é a queda dos preços internacionais de petróleo, e o segundo a queda da produção da Bacia de Campos. Segundo estimativas do Dieese, a perda de royalties na região do Norte Fluminense poderia ter sido amenizada de 2016 a 2018 em R$ 1,1 bilhões com a manutenção dos investimentos da Petrobras.

Outro dado importante que o documento destaca é a redução drástica do número de trabalhadores na Bacia em questão. De 2014 a 2018 a redução dos trabalhadores da Petrobras no Norte Fluminense foi de 3.526 próprios e de 29.743 terceirizados, representando uma redução média de 55% do efetivo.

O coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, considera que os números são fruto de uma política de criminalização do desenvolvimento da Petrobras. “A queda dos investimentos é fruto de uma visão da Petrobras que, em última instância, criminalizou o processo de desenvolvimento da empresa. A queda dos investimentos atualmente é uma consequência da lava-jato na medida que a Petrobras passou incomodar gigantes do setor, como Exxon, Shell e outras”, declarou.

Rangel considera que há um forte contraste com o papel da empresa nos governo petistas, que enxergavam a estatal como uma peça importante no cenário internacional. “As políticas executadas ao longo dos governos do PT, principalmente governo Lula, alteraram a dimensão da Petrobras na geopolítica global. A empresa deixou de ser um importante ator nacional para se tornar uma petrolífera central na disputa com as gigantes do setor. Para isso, a empresa investiu pesado em varias frentes como a petroquímica, o refino e em especial na produção. Isso alavancou a produção nacional em todas as áreas”, afirmou.


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