Fórumcast #19
17 de junho de 2009, 11h35

Etnias indígenas brasileiras cobram direitos por espaços urbanos

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, índios temem perder área onde está o Museu do Índio, vizinho ao Maracanã e que serve de ponto de apoio a migrantes

Com a proximidade da Copa do Mundo de 2014, índios temem perder área onde está o Museu do Índio, vizinho ao Maracanã e que serve de ponto de apoio a migrantes

Por Evandro Bonfim

Índios de diversas etnias brasileiras exigem do Ministério da Agricultura a posse definitiva do terreno e das instalações do antigo Museu do Índio, que fica vizinho ao estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A parte sem infra-estrutura do prédio está ocupada pelos indígenas, que a transformaram em uma espécie de aldeia urbana. Há outras ocupações similares no estado do Rio de Janeiro, como em Camboinhas, Niterói.

O local serve de ponto de apoio para migrantes indígenas que saem de seus territórios originários em busca principalmente de melhores oportunidades em educação. Sem apoio de órgãos como a Fundação Nacional do Índio (Funai), os ocupantes trabalham com artesanato e dão cursos de cultura indígena.

O principal temor é de que, com a proximidade de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo de 2014, a área seja tomada dos indígenas para a construção de obras como estacionamentos e shoppings. No mês de julho está programada a realização na ocupação de um curso de guarani ministrado por falantes nativos da língua. A ideia é que iniciativas como essa sirvam de base para o estabelecimento de uma universidade indígena, cujos detalhes estão na entrevista abaixo com José Guajajara, um dos pioneiros da ocupação indígena do Maracanã.

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Qual a situação indígena em áreas urbanas?

José Guajajara – É a nossa cruel e triste realidade. É fato que cada vez mais ocupações indígenas estão acontecendo nos grandes centros por diversos motivos, mas o êxodo maior acontece pela perda de auto-estima e pela busca de melhorias de educação e independência financeira, e outros.

Quais os objetivos de ocupações indígenas como a do Maracanã? Como você pensa a questão dos territórios indígenas em meios urbanos?

José Guajajara – O objetivo principal é que tenhamos um espaço genuinamente Indígena, e que ali se transforme numa Universidade Indígena, pensada e administrada por Indígenas, para Indígenas.

Qual o histórico da ocupação indígena do Maracanã?

José Guajajara – A partir de 2001, sabendo da existência de um prédio que abrigou o antigo Museu do Índio no Rio, passei a pesquisar sobre o local com alguns indigenistas, sertanistas e antropólogos sobre o que era aquele imóvel e quem estava cuidando. Chegamos ao Ministério da Agricultura, órgão federal que retinha a tutela do imóvel.

Em 2004 e 2005 fizemos duas tentativas de ocupação frustradas por vazamento de informação, e em outubro de 2006 ocupamos definitivamente o imóvel e estamos até hoje. O imóvel não é só o terreno que está o castelo do antigo Museu e sim todo aquele imóvel que abriga um suposto laboratório de pesquisa de sementes do Ministério da Agricultura, ou seja na rua Mata Machado do canto que é desde a av. Radial Oeste até a av. Maracanã.

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Que etnias estão presentes e quais as principais motivações para eles deixarem as terras indígenas e virem para cidades como o Rio?

José Guajajara – Quando ocupamos eram 17 etnias e um total de 47 indígenas, as principais: Guajajara/MA, Guarani M‘byá e Nhandewa/RJ, Pataxó/BA, Krahô/MA, Krikati/MA, Tembé/MA Apurinã/AM, Kaiapó/PA, Xukuru-Kariri/AL, Tabajara/CE, Karajá/GO, e outras que não me lembro agora. Sobre as motivações, um espaço de discussão e que aglutinassem as representações de diversas etnias que estão pelo Rio de Janeiro.

Quais as reivindicações principais do grupo que está no Maracanã em termos legais, condições de habitação e sustentabilidade?

José Guajajara – Pedimos a transferência do prédio para nossa organização indígena, que se faça a reforma do imóvel e que se implemente a Universidade Indígena. É a nossa proposta também que seja incluído no roteiro turístico que já existe no Rio de Janeiro, e que nos exclui.

Por Evandro Bonfim, especial para Adital.


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