Eu me sinto de alma lavada, diz pai de João Alberto sobre repercussão da morte do filho

Para João Batista Rodrigues Freitas, só muita educação deve diminuir o racismo no Brasil

A repercussão do assassinato de João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, homem negro que morreu depois de ser brutalmente espancado por dois seguranças brancos do Carrefour em Porto Alegre (RS), na quinta-feira (19), deixou seu pai de “alma lavada”.

Em entrevista à RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, João Batista Rodrigues Freitas afirmou, claro, que gostaria que isso não tivesse acontecido ao seu filho. No entanto, a repercussão trouxe um certo alívio a sua dor.

“Eu posso te dizer que me sinto de alma lavada, porque não imaginei que fosse ter uma repercussão tão grande assim. Mas se é em favor da sociedade é bem-vindo”, disse ele durante o velório de Beto, como era conhecido seu filho.

“Esse tipo de sentimento assim [racismo] tem que ser banido da sociedade”, continuou o pai da vítima. “E só com muita educação a gente vai superar esse momento. Então um momento como esse é sublime pra isso”, declarou.

O assassinato de João Alberto, ocorrido na véspera do Dia da Consciência Negra, provocou a reação de autoridades e lideranças de movimentos de defesa dos negros e de direitos humanos. Protestos foram realizados em diversas cidades do país. Em São Paulo, a avenida Paulista amanheceu neste sábado com a inscrição “Vidas pretas importam” na pista.

Os dois seguranças filmados batendo em João Alberto foram presos em flagrante. Magno Braz Borges e Giovane Gaspar Da Silva são acusados de homicídio triplamente qualificado. Sua prisão foi convertida em preventiva nesta sexta-feira (20).

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Fabíola Salani

Graduada em Jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou por mais de 20 anos na Folha de S. Paulo e no Metro Jornal, cobrindo cidades, economia, mobilidade, meio ambiente e política.