EUA: Trabalhadores LGBT e negros vão paralisar a Netflix nesta quarta

O movimento, que está sendo chamado de "Levante pela Solidariedade", é uma resposta ao programa do comediante Dave Chapelle, acusado de ser homofóbico e transfóbico

Os trabalhadores [email protected], LGBT e aliados vão paralisar nesta quarta-feira (20) as operações da Netflix estadunidense. O ato está sendo organizado pela ativsta Ashlee Marie Preston e vai acontecer a partir das 10h30 em frente ao edício Epic da Netflix, em Holywood.

A paralisação e o ato vão contar com a participação de criadores, diretores, atores e atrizes. O objetivo é chamar a atenção para a “importância de conteúdo responsável e que priorize a segurança e dignidade de todas as comunidades marginalizadas”.

O protesto e a greve foram motivados pelo especial “The Closer”, protagonizado pelo comediante Dave Chappelle, que é acusado de fazer piadas homofóbicas e transfóbicas.

A manifestação de funcionários da Netflix receberá o apoio de diversos astros queer de Hollywood. Angelica Ross (Pose), Jonathan Van Ness (Queer Eye), Eureka O’Hara (AJ and The Queen), Jameela Jamil (The Good Place), Sara Ramirez (Grey’s Anatomy), Colton Haynes (Arrow), TS Madison (Zola), Our Lady J (Pose), Alexandra Billings (Transparent) e Joey Soloway (United States of Tara) se juntarão aos trabalhadores da plataforma no ato desta quarta.

Transfobia e homofobia

Na semana passada, a Netlflix enfrentou uma reação generalizada quando o co-CEO Ted Sarandos defendeu o especial “The Closer”, protagonizado pelo comediante Dave Chappelle, cujo conteúdo é acusado de ser homofóbico e transfóbico.

Em um memorando para a equipe, Sarandos escreveu: “Embora alguns funcionários discordem, temos uma forte convicção de que o conteúdo do programa não se traduz diretamente em danos no mundo real”.

Programa “The Closer” é acusado de ser homofóbico e transfóbico/Foto: Divulgação

Após a divulgação do memorando, três funcionários foram suspensos por impedir uma reunião da executiva do canal, incluindo Terra Field, que se identifica como trans e queer e que criticou o especial de Chappelle no Twitter.

Em sua defesa, a Netflix afirmou que Field não foi suspensa devido aos tuites dela, mas por comparecer à reunião sem ser convidada.

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No dia 12 de outubro, foi anunciado que os funcionários haviam sido reintegrados depois que a empresa entendeu que eles não invadiram de má fé a reunião.

Porém, no dia 15 de outubro um funcionário foi demitido após ser acusado de compartilhar as métricas de audiência e lucro do programa de Dave Chappelle.

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De acordo com a imprensa local, mais de mil pessoas são aguardadas para a manifestação.

Com informações da NBC, Verge e NYT.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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