Ex-policial fica milionário com primeiro aplicativo gay na China

Empresário trabalha em parceria com o governo chinês para mudar imagem da comunidade LGBT e também em políticas de prevenção ao HIV/Aids

Há oito anos Ma Baoli deixava a força policial da China para lançar o aplicativo Blued, que hoje tem cerca de oito milhões de usuários e ações cotadas na Bolsa de Valores de Nova York.

A história de Ma Baoli começa em 2000, quando cuidava do blog Danlan.org, onde publicava textos sobre as questões LGBT com um pseudônimo.

Ao RFI, ele revelou que, no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000 quando se pesquisava sobre LGBT na internet o que surgiam eram páginas e publicações dizendo que gays eram “pervertidos” ou de que “necessitavam de tratamento”.

Baoli também revelou que ao entender a sua orientação sexual se sentiu “muito só”, pois, à época não existiam locais de encontro para as pessoas LGBT da China.

“As pessoas marcavam encontros escrevendo nas paredes dos banheiros. Todo mundo tinha medo de ser descoberto”, disse Ma Baoli ao RFI.

Por conta desse cenário de solidão LGBT na China, o blog de Baoli se tornou muito popular. Com o sucesso do site, a identidade de Ma Baoli foi descoberta em 2012 e ele então resolveu deixar a corporação e investir em um aplicativo de encontro para as pessoas LGBT.

Parceria com o governo

Ainda em 2012 Ma Baoli lançou o aplicativo Blued, que tem o funcionamento semelhante ao de outros apps, que aproxima os usuários que estão mais próximos.

Hoje, o Blued tem mais de 58 milhões de assinantes, sendo a maioria da China, porém, o app também está presente na Índia, na Coreia do Sul e Tailândia.

A carreira de Ma Baoli está em ascensão e neste ano a sua empresa comprou uma rede social voltada para lésbicas na China e também um app gay concorrente, o Finka.

De acordo com Ma Baoli, muitos usuários também o usam o Blued para reclamar da maneira como são tratados pelas autoridades chinesas. Reclamam de censura e restrições.

Porém, o empresário enxergou no sucesso de seu aplicativo uma maneira de construir uma outra imagem sobre a comunidade LGBT na China junto do governo, país que retirou a homossexualidade da lista de doenças em 2001.

O primeiro passo foi lançar a plataforma digital He Health, voltada para saúde e que oferece testes para HIV, isso em parceria com governo da China.

A empresa de Ma Baoli tem trabalhado em parceira com os agentes de saúde responsáveis pelas políticas de prevenção e de combate ao HIV/Aids.

“Eles me disseram que estavam tentando entrar em contato com a comunidade homossexual, mas não sabia como fazê-lo”, disse Baoli ao RFI.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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Renato Rovai
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