Ex-reitor da Unicamp deve substituir general em rodovia campineira

Deputado estadual paulista apresenta hoje projeto que muda o nome da Rodovia Milton Tavares de Souza, chefe do Centro de Informações do Exército (CIE) nos anos 60 e 70, para Rodovia Zeferino Vaz

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Deputado estadual paulista apresenta hoje projeto que muda o nome da Rodovia Milton Tavares de Souza, chefe do Centro de Informações do Exército (CIE) nos anos 60 e 70, para Rodovia Zeferino Vaz

Por Pedro Venceslau

Enquanto o projeto de lei que proíbe o Poder Executivo estadual de batizar logradouros públicos com nomes de militares da ditadura tramita na Assembleia, seu autor, o tucano Milton Flávio, atua no varejo. Ele vai apresentar hoje na casa um PL que muda o nome da Rodovia Milton Tavares de Souza, em Campinas, para Rodovia Zeferino Vaz.

Para quem não conhece a região, essa é a ligação entre a cidade e a Unicamp. Não por acaso, Zeferino foi reitor da universidade, tendo morrido em 1981. Já Milton Tavares de Souza, mais conhecido como “Milton Caveirinha”, foi general e chefe do poderoso Centro de Informações do Exército (CIE) nos anos 60 e 70 . Tavares também foi agraciado com um viaduto acima do rio Tietê, em São Paulo. “Esse tipo de trâmite é rápido”, afirma Milton Flávio.

A ideia agrada a José Serra que, quando prefeito, tentou tirar o nome do general do viaduto na cidade, mas não teve tempo. A história condenou a ditadura militar brasileira, mas os mapas das cidades paulistas ainda estão recheados de homenagens aos seus gestores. Até torturadores famosos, como Sérgio Paranhos Fleury, e outros nem tanto, como Dan Mitrione, estadunidense que ensinou tortura a polícias brasileiros nos anos 60, viraram belas praças, ruas comerciais e até avenidas na capital e no interior.

De tempos em tempos, organizações como o Tortura Nunca Mais conseguem convencer políticos locais do absurdo das homenagens. Foi o que aconteceu há dois meses em São Carlos, interior do estado. Na ocasião, uma lei do vereador petista Pedro Navarro fará com que o nome da rua Sérgio Paranhos Fleury passe a se chamar rua Dom Hélder Pessoa Câmara. Trata-se de um caso raro. Em geral, é mais fácil um político homenagear Ayrton Senna do que “desomenagear” um militar da ditadura