Familiares e amigos lançam documento denunciando descaso nas investigações sobre a morte de Diogo Paz

Diogo Paz foi encontrado desmaiado no centro de São Paulo no fim de 2020, deu entrada com vida no hospital, porém, veio a falecer e quase foi enterrado como indigente

Familiares, amigos e ativistas lançaram um manifesto onde denunciam 30 dias de silêncio e descaso em torno das investigações sobre as circunstâncias que levaram Diogo Paz ao óbito.

O manifesto conta com um poema escrito por Jared Baungartner, amigo próximo de Diogo Paz e que localizou o corpo de Paz depois de cinco dias desaparecido. Foi graças ao trabalho de Baungartner que Paz não foi enterrado como indigente.

Participam do vídeo manifesto a mãe de Diogo Paz, Dalva, e seu pai, Manoel. A irmã de Diogo, Estefani Paz, e sua prima, Débora Paz, também participam do vídeo manifesto.

Além dos familiares, o manifesto conta com o apoio de artista e militantes, entre eles, Simmy Larrat, presidenta da ABGLT, Assucena Assucena, vocalista da banda As Baías; o coletivo LGBT do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra); Dr. Paulo Iotti, militante LGBT e especialista em direito constitucional e outras pessoas das artes e do movimento LGBT.

“Se o Diogo tivesse um sobrenome relevante seu caso já estaria próximo de ser solucionado”, critica defesa de Diogo da Paz

A família e a defesa de Diogo da Paz, rapaz negro e gay que foi encontrado desmaiado na rua e depois faleceu no hospital do Servidor Público (HSPM), reclamam que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e outros órgãos responsáveis estão demorando para investigar o caso.

À Revista Fórum, o advogado da família de Diogo da Paz, Musslim Ronaldo Vaz de Oliveira, disse que “está havendo uma demora para que o inquérito ande, isso se dá porque o delegado necessita do laudo IML, mas segundo os policiais que atendem no IML, o laudo só fica pronto após 60 dias”.

Para Oliveira, essa demora “possibilita o perecimento das provas, ou seja, as imagens das câmeras que existem na rua Pirapitingui (onde Diogo foi encontrado), pode ter um período de armazenamento de imagens inferior a tempo de início das investigações”.

O advogado também afirmou para a reportagem que “se o delegado deixar para oficiar as residências e imóveis apenas após 30 ou 60 dias, por certo não teremos mais as imagens. O caso do Diogo seria resolvido em 5 dias se as imagens tivessem sido pedidas de imediato pela polícia”.

Perguntamos para Oliveira se ele acredita na existência de uma homofobia e racismo por parte dos poderes públicos e ele nos disse que “se o Diogo tivesse um sobrenome relevante para a sociedade paulistana, se fosse um rapaz nascido na elite política ou empresarial, seu caso já estaria próximo de ser solucionado”.

“Mas, sendo gay, negro, do interior, as mazelas estruturais de nossa sociedade levam os procedimentos a deportar mais tempo que o razoável”, critica o advogado.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou à reportagem da Revista Fórum que o caso de Diogo da Paz “é investigado pelo 5º Distrito Policial desde o registro da ocorrência”.

Neste momento “policiais da unidade estão agendando os depoimentos de testemunhas e analisam imagens apreendidas de um posto de combustível localizado próximo do endereço em que o rapaz foi socorrido. Os laudos, que estão em andamento, são peça do inquérito e serão analisados assim que forem disponibilizados à autoridade policial”, informou a Secretaria de Segurança Pública por meio de sua assessoria de imprensa.

Avatar de Marcelo Hailer

Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

Em 2021, escolha a Fórum.

Todos os dias Fórum publica de 80 a 100 matérias desde às 6h da manhã até à meia-noite. São 18h de textos inéditos feitos pela equipe de 10 jornalistas da redação e também por mais de três dezenas de colaboradores eventuais.

E ainda temos 3 programas diários no YouTube. O Fórum Café, com Cris Coghi e Plínio Teodoro, o Fórum Onze e Meia, com Dri Delorenzo e este editor, e o Jornal da Fórum, com Cynara Menezes. Além de vários outros programas semanais, como o Fórum Sindical, apresentado pela Maria Frô.

Tudo envolve custos. E é uma luta constante manter este projeto com a seriedade e a qualidade que nos propomos.

Por isso, neste momento que você está renovando suas escolhas e está pensando em qual site apoiar neste ano, que tal escolher a Fórum?

Se fizer isso, além de garantir tranquilidade para o nosso trabalho, você terá descontos de no mínimo 50% nos cursos que já temos em nossa plataforma do Fórum Educação.

É fácil. Clique em apoiar e escolha a melhor forma de escolher a Fórum em 2021.

Renato Rovai
Editor da Revista Fórum

APOIAR