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24 de maio de 2020, 23h04

Fantástico surpreende e faz entrevista em que Moro é pressionado

Questionado pelo programa da Globo sobre silêncio na reunião ministerial, ex-ministro afirmou que “o ambiente não era favorável ao contraditório”

Foto: Reprodução/TV Globo

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro foi colocado na parede em entrevista exclusiva que deu à TV Globo, exibida no Fantástico deste domingo (24).

A jornalista Poliana Abritta insistiu com Moro sobre o silêncio dele durante a reunião ministerial de 22 de abril, que teve a gravação divulgada. No encontro de cerca de duas horas, o então ministro falou apenas alguns minutos.

“O ambiente ali não era favorável ao contraditório”, justificou Moro. Ele disse que não reagiu diante de falas do presidente que considerou serem sobre interferência na Polícia Federal porque tinha uma reunião com Bolsonaro sobre o assunto, onde “seria mais apropriado” falar.

A jornalista destaca que o ex-ministro calado e de braços cruzados “chama a atenção” no vídeo da reunião. Ela citou a fala do ministro Abraham Weintraub (Educação), contra o Supremo Tribunal Federal, uma vez que Moro é ex-juiz, e “o passar a boiada” de Ricardo Salles (Meio Ambiente), que suscita ilegalidades e falta de transparência na administração pública.

“Eu não sou o presidente da reunião”, disse Moro. “Eu não estava confortável. Eu me sentia incomodado em vários momentos. Eu estava no governo e tinha limitações do que podia externar publicamente”, respondeu, depois de alguma insistência.

Abritta destacou que Moro ficou 16 meses no governo, mas ele apenas concordou e evitou responder por que não se incomodou antes com os problemas que aponta agora. Confrontado com o fato de que Bolsonaro mantém na Presidência posturas que sempre demonstrou em quase 30 anos como deputado, Moro disse que aceitou ser ministro por entender que “tinha uma missão” e que não se arrepende.

“Eu fiz uma escolha clara, que, na época, estava justificada. E fiz uma escolha agora, também clara, quando saí”, alegando que Bolsonaro não deu espaço para a agenda do combate à corrupção, que seria o seu objetivo.

“Me desculpe aqui os seguidores do presidente, se essa é uma verdade inconveniente, mas essa agenda da área de corrupção não teve um impulso por parte do presidente da República para que nós implementássemos”, afirmou o ex-juiz da Lava Jato.

“Fui permanecendo porque eu tinha esperança de que eu ia conseguir colocar essa agenda. Mas essa interferência na PF veio num contínuo em que eu via a agenda de combate à corrupção ser cada vez mais esvaziada”, justificou novamente, em outro ponto da entrevista, apontando também para falta de apoio do presidente em algumas pautas e ainda as recentes alianças com o centrão.

“Essas alianças com políticos que não têm um histórico totalmente positivo. Não tenho nada contra políticos, entendo que é preciso alianças para governar, mas algumas alianças são questionáveis.”

Moro ainda criticou a postura do presidente na pandemia de coronavírus e a política armamentista de Bolsonaro, além de voltar a afirmar que o vídeo da reunião comprova a interferência na PF.


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