FNL ocupa latifúndio pelo direito à moradia no Pontal do Paranapanema

Neste sábado (12), a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) realizou uma grande ocupação na região do Pontal do Paranapanema.

Por Nathália Bittencurt

Neste sábado (12), a Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) realizou uma grande ocupação na região do Pontal do Paranapanema, na cidade de Sandovalina, interior de São Paulo. A ação envolveu mais de 300 famílias, para organizar e efetivar a ocupação de terras que descumprem sua função social, e pressionar pela reforma agrária.

O Pontal do Paranapanema passa por uma longa disputa judicial, pois é historicamente utilizado de forma irregular por grileiros e latifundiários. Recentemente, uma determinação da Justiça considerou de caráter público cerca de 120 mil hectares de terrenos da região. Ou seja, terrenos que devem ser destinados à reforma agrária. Com tanta terra vazia e tantas famílias sem terra e moradia, a FNL mais uma vez construiu uma ocupação para abrigar pessoas e sonhos, contribuindo com o uso útil e sustentável do local.

Foto: Rebeca Meyer

A FNL conta com dezenas de ocupações em cidades do Brasil, que reúnem aproximadamente dezenas de milhares de famílias de campesinos em luta por um pedaço de terra para trabalhar e sustentar seus filhos. Ao defender a reforma agrária, não se pauta apenas o direito à terra, mas também a preservação do meio ambiente, o que vai na contramão do que os latifundiários e políticos representantes do agronegócio têm como projeto para o país. Para eles, o Agro é pop e serve para passar a “boiada” por cima da nossa natureza e gerar lucro sobre ela.

Governo Bolsonaro paralisa a reforma agrária

Desde o início do governo, Bolsonaro e seus ministros não escondem seu projeto de fortalecimento do agronegócio em detrimento de uma análise séria sobre a reforma agrária. Através dos bastidores da política nacional, houve a tentativa de entregar grandes faixas de terras aos grandes latifundiários. Ao enfrentar empecilhos, em janeiro de 2019 cerca de 250 de ações que visavam a distribuição e reconhecimento de terras foram paralisadas. Em 2020, segundo um dos coordenadores da FNL, Claudemir Noavis, já somavam mais de 400 ações impedidas de avançar na titulação de terras. As famílias de pequenos agricultores e ocupações urbanas jamais interessaram para o governo.

A agricultura familiar é responsável por grande parte dos alimentos que são oferecidos aos brasileiros, no entanto, o setor não tem praticamente nenhum incentivo financeiro ou de políticas públicas para crescer e ganhar auto sustentabilidade. Em maio deste ano, a base aliada de Bolsonaro junto aos ruralistas da Câmara retirou a obrigatoriedade de compra de 30% das merendas escolares pela via da agricultura familiar. O coordenador da FNL Zé Rainha resumiu a contradição de um dos maiores produtores de alimento do mundo, o Brasil.

Foto: Rebeca Meyer

“A terra está sendo tomada por toneladas e toneladas de veneno, produzindo soja e milho para exportação, enquanto a nossa gente morre de fome.”

A luta pela moradia e a liberdade continua

Neste sábado, a região do Pontal do Paranapanema ganhou nova vida. Zé Rainha, expressou o sentimento dos militantes do movimento:

“No Brasil, neste momento, quase 20 milhões de pessoas passam fome, e mais de 30 milhões estão desempregados. Quando nós olharmos para o assentamento, nas terras que nós conquistamos, vocês poderão dizer que as pessoas, as mães, os homens, e os seus filhos, choram de barriga cheia. Choram de dignidade, porque tem um trabalho, um lar… E tem a terra, que do suor dele à conquista, fez dela sua mãe que sacia seu filho com o maior carinho, do ventre ao peito, pra que ele se torne cidadão.”
As famílias da FNL estão dando um novo passo para o cumprimento da função social das terras em Sandovalina, e mostrando mais um exemplo de combatividade e responsabilidade com a luta pela reforma agrária.

Todo apoio à FNL. Reforma agrária já!

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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