Fome avança e atinge mais de 50% dos domicílios no Brasil, diz entidade

Longe da região central, onde as doações de alimento se concentram, famílias periféricas reviram lixos atrás de comida

Com recrudescimento da pandemia, a fome também avançou e o trabalho ser tornou mais difícil de ser encontrado. De acordo com o Inquérito Nacional sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19, conduzido pela Rede Pensssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional), a fome já atingiu 19 milhões de brasileiros em 2020.

A pesquisa também revelou que 116,8 milhões de brasileiros viveram com algum grau de insegurança alimentar nos últimos meses, o que corresponde a 55,2% dos domicílios.

De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, com o hiato no pagamento do Auxílio Emergencial do governo Federal, em São Paulo algumas famílias têm como renda apenas auxílios de alimentação repassados pela prefeitura ou pelo governo estadual.

Franciele Alvez da Silva, 22, recebe apenas os R$ 100 dados pela prefeitura como ajuda para alimentação de alunos. Segundo Franciele, o dinheiro dá apenas para comprar fralda e leite.

A mulher trabalhava como cuidadora de crianças, mas está sem trabalho desde o começo da pandemia. Ela conta com ajuda dos pais, mas relata que a dieta de seu filho está prejudicada e que, o que mais falta são frutas.

As doações estão concentradas no centro da cidade de São Paulo, portanto, as famílias atingidas pela pandemia, mas que vivem distante da região central sofrem mais o impacto e realizam garimpos pelos lixos dos bairros atrás de comida.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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