Fome: Touro da B3 é “homenageado” por movimentos sociais

Réplica da versão estadunidense foi inaugurada nesta terça e deve ficar exposta por 90 dias

Inaugurado nesta terça-feira (16), o Touro de Ouro da B3 recebeu nesta manhã uma “homenagem” digna de seu simbolismo: cartazes com a palavra “Fome” foram colocados na escultura. A ação foi organizada pelos grupos militantes Juventude Fogo no Pavio e Coletivo Raiz da Liberdade.

Por meio de suas redes, o grupo Fogo no Pavio divulgou a ação acompanhada de críticas a acumulação de riquezas e aprofundamento da miséria no Brasil.

“Enquanto o lucro e a acumulação de riquezas seguem aprofundando a exploração incansável dos nossos trabalhos cada vez mais precarizados. Tudo isso muito beneficiado pela política entreguista e genocida de Bolsonaro!”, critica o grupo.

Para os militantes, “a estátua do Touro de Ouro no Centro de São Paulo […] simboliza a força do mercado financeiro, para nós é um símbolo da fome, da miséria e da superexploração do trabalho”.

Além disso, os grupos lembraram que “assim como o Touro de Wall Street é alvo de trabalhadores e trabalhadoras que resistem, aqui o Touro de Ouro também será!”.

Touro de Ouro representa a decadência do Brasil

Quem também criticou a estátua do Touro de Ouro da B3 foi a história Lilia Schwarcz, que classificou a obra como “cafona”.

“Seria engraçado se não fosse trágico. O Brasil enfrenta uma das maiores crises econômicas, as taxas de desemprego estão elevadíssimas, a desigualdade aumentou e a fome voltou, mas o centro histórico de São Paulo ganhou nesta terça (16) um “touro de ouro”. A Bolsa de Valores brasileira resolveu inaugurar em sua calçada o ‘Touro de Ouro’, para simbolizar a “força do mercado financeiro e do povo brasileiro”, diz Lilia Schwarcz.

“Ao invés de simbolizar a força e otimismo que o mercado queria com ele simbolizar, o touro tropical foi rapidamente associado à atual decadência do mercado de ações brasileiro e do ministro da Economia Paulo Guedes. Além de totalmente dissociada da realidade, a peça é de um tremendo mau gosto. Tudo errado. Sem mais comentários”, criticou a historiadora.

Avatar de Marcelo Hailer

Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).