O fracasso dos atos e a morte do MBL

Ciro Gomes e Orlando Silva se equivocam ao colocar a economia como a “grande diferença” entre esquerda e direita, pois, as decisões econômicas incidem diretamente na condição humana

As manifestações convocadas pelo Movimento Brasil Livre que aconteceram neste domingo (12) em várias cidades do Brasil foram um fracasso retumbante em várias camadas, mas revela, primeiro: que o MBL ruiu e que algumas personagens da esquerda se equivocaram não apenas em participar, mas também em suas justificativas.

Orlando Silva (PCdoB) e Ciro Gomes (PDT) participaram do ato na cidade de São Paulo e, durante os seus respectivos discursos, revelaram um duplo equívoco: ter ido e a análise de ambos sobre aquilo que separa esquerda e direita.

Ambos os líderes da centro-esquerda se equivocam ao afirmar que o que separa e ou difere esquerda e direita sejam as políticas econômicas, como se esta fosse aplicada descoladas de outras decisões e visão sobre o mundo.

As decisões econômicas incidem diretamente sobre a condição humana das pessoas. Quando um governo liberal decide restringir acesso aos serviços públicos ou a programas de distribuição de renda está colaborando diretamente com o empobrecimento e retorno da miséria.

A economia não é um alienígena, ela está diretamente ligada à ideologia dos grupos políticos.

MBL e o ódio às diferenças

Não é possível esquecer a origem do MBL e seus compadres: ágeis em perceber um vácuo de liderança entre 2013 e 2014 este grupo foi às ruas, assimilou pautas oriundas do campo popular e enganou milhares de pessoas.

Posteriormente, ao notar a ascensão política de Bolsonaro, se aliaram ao bolsonarismo mais torpe.

Abraçaram as teses do Escola Sem Partido, que é basicamente movida pelo ódio às diferenças, da expulsão dos corpos LGBT da educação, invadiram salas de aulas e promoveram a censura às exposições… esqueceram da obra de arte de “Criança Viada”, que foi vítima de uma campanha criminosa do MBL?

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Ou seja, ao contrário do que alguns articulistas da imprensa tradicional escreveram, não foi o PT que optou por “boicotar” os atos, simplesmente há um oceano de distância entre o projeto político do Partido dos Trabalhadores com os grupos que organizaram os atos de hoje.

A morte do MBL

Não é de hoje que o MBL é um cachorro morto na política, mas, o seu descolamento do presidente Bolsonaro foi o prego que faltava em seu caixão.

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Antes da manifestação de hoje, o grupo já havia promovido alguns adesivaços que foram ainda mais constrangedores do que as manifestações deste domingo.

O MBL não existe sem o bolsonarismo, não possui militância e muito menos capacidade de diálogo com a classe trabalhadora. Pois, o grupo é o bolsonarismo de sapatênis, simples assim.

Isto não significa que o diálogo com a classe trablhadora seja uma exclusividade da esquerda, até porque o presidente e parte da direita é muito eficaz em sua comunicação com a classe em questão, mas a esquerda também.

Por fim, o MBL é o fascismo de sapatênis. A terceira via está flopando não apenas nas ruas, mas também nas primeiras pesquisas sobre a eleição presidencial, ainda que estas sejam uma fotografia do momento, por hora, a terceira via não passa de um naufrágio.

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Marcelo Hailer

Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).

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