quarta-feira, 23 set 2020
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Gal Costa teme ditadura do governo Bolsonaro: “A gente que viveu na época da ditadura tem medo que volte”

A cantora Gal Costa disse em entrevista que tomou um susto com a tentativa de censura na Bienal do Livro do Rio de Janeiro e que teme que a ditadura volte.

Ao Estadão, a cantora e um dos maiores nomes da MPB falou sobre a turnê de seu último disco, A Pele do Futuro, e sobre os tempos que estamos vivendo hoje. Gal fez parte da Tropicália, um dos movimentos mais importantes da música brasileira e que bateu de frente com a Ditadura Militar.

“Quando eu assisti pela televisão que o Crivella tinha censurado o beijo de dois homens na Bienal do Rio, que eu vi as pessoas falando que ele tinha permitido vender os livros num invólucro preto, me lembrei do Índia“, disse a cantora. O disco Índia de Gal saiu nos anos 1970 e foi censurado, sendo comercializado em plástico preto.

“Tomei um susto”, continua, “porque me veio essa lembrança, e aí achei uma coisa horrorosa, porque, com o governo federal que a gente tem hoje, a gente fica assustada com as declarações, com a maneira como as coisas são tratadas.”

Gal Costa também expressou um temor que é tão dela quanto de qualquer outra pessoa que viveu a Ditadura Militar: “A gente que viveu na época da ditadura tem medo que isso volte, está aí na atmosfera. Mas o povo  brasileiro hoje está mais atento, tem mídias digitais, a gente sabe tudo o que está acontecendo na hora, e portanto a gente sabe que as pessoas se mobilizam em outros Estados.”

Ela assegura: “As instituições democráticas são mais consolidadas, fortes, a ditadura não vai se implantar. A gente tem que ficar atento, não pode deixar isso acontecer, e o papel dos artistas neste momento é fundamental.”

“É preciso estar atento”

Um ano após a AI-5, Gal Costa lançou seu primeiro disco solo: Gal Costa. Um dos destaques do álbum é a faixa Divino Maravilhoso, canção que foi recentemente regravada por Caetano Veloso – co-autor da letra – e pela cantora IZA.

Em plena ditadura, Gal cantava que é “preciso estar atento e forte”, em uma das músicas mais emblemáticas da época. Hoje, ela pede novamente para que fiquemos atentos, mas para que o cenário em que Divino Maravilhoso foi lançada não se repita.

Redação
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