Genocídio do coronavírus é a "reforma da previdência" de Bolsonaro, diz Ariel de Castro

O advogado especializado em direitos humanos também afirmou que a justiça brasileira é “dominada por uma aristocracia” e que só concede “prisão domiciliar para pessoas com poder político

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Em entrevista ao Fórum Café, o advogado especialista em Direitos Humanos e Conselheiro do Condepe-SP (Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana), Ariel de Castro Alves, declarou que o Brasil vive um genocídio que é o projeto de reforma da previdência do governo Bolsonaro.

"Nós temos um genocídio, mais de 187 mil vidas já ceifadas e o presidente da República não está satisfeito com isso. Aliás, isso é um projeto de poder do governo Bolsonaro, uma espécie de reforma da previdência. Quanto mais idosos forem eliminados nessa pandemia, mais o governo comemora, o governo cumpre o seu projeto de genocídio da população idosa", criticou Ariel.

Alves também afirmou que, ao governo, interessa que morram mais pessoas pobres. "Quanto mais pobre morrer, também interessa pro governo, que entende que vai ter menos gastos sociais. E agora, sem o auxílio emergencial, a situação da população brasileira se deteriora ainda mais, já temos mais de 10 milhões de pessoas passando fome", disse.

Na conversa, Ariel Alves analisou o perfil seletista da justiça brasileira. "Nós vemos, até nessa prisão domiciliar para o Crivella essa seletividade da justiça. Pessoas que tem poder econômico, poder político rapidamente conseguem prisões domiciliares, enquanto muitas mulheres que têm filhos pequenos e que teriam direito à prisão domiciliar, muitas vezes com filhos recém nascidos, não conseguem, mesmo com base na lei, no Estatuto da primeira infância e do Adolescente e outros presos comum", afirmou o advogado.

O conselheiro do Condepe afirmou que a "Justiça brasileira é dominada por uma aristocracia, por uma casta, então, ela só concede prisão domiciliar para pessoas com poder político e econômicos, e em raras exceções que acaba concedendo dependendo de alguns juízes com alguma sensibilidade com uma visão diferente da maioria dos magistrados, acabam concedendo para alguns presos".

Ariel criticou as instituições e afirmou que elas estão acovardadas diante do governo Bolsonaro. "O Supremo Tribunal Federal acovardado, um Congresso Nacional não só acovardado, mas também fazendo negociatas, vimos o crescimento do centrão nas últimas eleições. Exatamente o setor que é mais corrupto, fisiológico, mais clientelista é que tem sido favorecido atualmente. E o governo tem cedido a esse setor em troca do presidente não ser investigado, não ser processado no Congresso Nacional", criticou.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com Ariel de Castro:

https://www.youtube.com/watch?v=iMEkRMntBK0&feature=youtu.be